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Flex2000 força trabalhadores a tirar férias e faz pressão para rescisões por mútuo acordo

A empresa reduziu recentemente em cerca de 60 o número de trabalhadores. Bloco quer que Governo esclareça se esta empresa, visitada esta sexta-feira por Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, recorreu a apoios públicos e se foi alvo de ações inspetivas.
Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa em visita à Flex2000.
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa, durante uma visita à fábrica da Flex2000, na zona industrial de Ovar, em 22 de maio de 2020. Foto de José Coelho, Lusa.

De acordo com os deputados Moisés Ferreira e Nélson Peralta, a Flex2000 tinha ao seu serviço cerca de 250 trabalhadores, mas tem mandado para casa vários trabalhadores em férias “forçadas”, alegando falta de encomendas. Quando estes esgotam os dias de férias e regressam ao trabalho, a empresa, condenada no passado pela Autoridade da Concorrência por prática de cartel, pressiona-os para assinarem a rescisão por mútuo acordo.

Ainda que o Grupo Cordex, a que pertence a Flex2000, registe um crescimento a dois dígitos e uma faturação de centenas de milhões de euros por ano, os regimes de trabalho de intensa exploração são, conforme referem os deputados, uma prática comum. Um dos exemplos passa por obrigar os trabalhadores a compensar os 30 minutos diários para alimentação, o que faz com que tenham que trabalhar duas manhãs de sábados de graça.

Moisés Ferreira e Nélson Peralta consideram que “uma empresa moderna, inovadora, respeitadora dos seus deveres enquanto instituição e dos direitos dos seus trabalhadores, em caso algum opta por qualquer exercício de pressão sobre os seus trabalhadores, tanto de forma direta como indireta”.

Face à gravidade da situação, os deputados bloquistas querem que o Governo esclareça se esta empresa recorreu recentemente a apoios do Estado e se a Flex2000 foi alvo, nos últimos 5 anos, de alguma ação inspetiva por parte da Autoridade para as Condições de Trabalho. Em caso de resposta afirmativa a esta última questão, Moisés Ferreira e Nélson Peralta pretendem saber quais as conclusões dessas ações.  

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa, fez esta sexta-feira uma visita à fábrica da Flex2000, na zona industrial de Ovar.

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