Fitch corta 'rating' de Portugal para lixo

24 de novembro 2011 - 15:43

A agência de notação financeira Fitch baixou esta quinta-feira, dia da greve geral, a notação da dívida portuguesa para um patamar considerado ‘lixo’, tal como uma outra agência chinesa. Os juros da dívida já estão a subir ligeiramente em Portugal e a bater máximos históricos na Grécia.

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A Fitch reviu em baixa as perspetivas económicas para Portugal, apontando para uma recessão de 3% do PIB em 2012, em linha com as previsões do Governo e da troika.

A Fitch anunciou esta quinta-feira que reduziu o 'rating' de Portugal em um nível, de 'BBB-' para 'BB+', um patamar considerado 'junk bond', ou seja, ‘lixo’. A agência de notação financeira, a mais pequena das "três grandes", mantém a perspetiva negativa sobre Portugal.

Pouco mais de uma hora após o anúncio deste corte, os juros exigidos pelos investidores para deter títulos de dívida soberana portuguesa no mercado secundário apresentaram subidas em quase todos os prazos, com exceção da dívida a três e seis meses, onde apresentam diminuições de 0,996 pontos percentuais e 0,021 pontos percentuais respetivamente.

Já na Grécia, os juros atingiam máximos históricos a cinco e dez anos nos 46,969 por cento e 29,220 por cento.

Numa nota da agência citada pelo Diário Económico, a Fitch justificou esta decisão aproveitando para reforçar a necessidade do cumprimento do programa da ‘troika', que, se “for executado com sucesso e daí resultar uma melhoria no crescimento da economia”, então a pressão sobre o ‘rating' irá aliviar.

Por estar a receber empréstimos da ‘troika', o corte de ‘rating' não terá, no imediato, efeitos diretos no custo de financiamento de Portugal. No entanto, se agravar a taxas de juro implícitas no mercado secundário e piorar a credibilidade do país junto dos investidores, será mais difícil a Portugal regressar, como prevê o memorando, sozinho aos mercados em 2013. Uma deterioração da situação económica e um desvio na rota da consolidação orçamental podem conduzir a novo ‘downgrade'. Estes são os argumentos da Fitch.

A agência de notação financeira justifica que "os desequilíbrios orçamentais, o elevado endividamento em todos os setores e o cenário macroeconómico negativo" não são compatíveis com uma classificação que não seja a de investimento especulativo, isto é, de elevado risco.

Portugal corre "um risco de derrapagem grande"

A Fitch avisa que "a recessão dos próximos dois anos torna a tarefa do governo de reduzir o défice muito mais desafiante e com impactos negativos na qualidade dos ativos da banca", tendo revisto em baixa as perspetivas económicas para Portugal, devido à deterioração das perspetivas para a Europa, apontando para uma recessão de 3% do PIB em 2012, em linha com as previsões do Governo e da troika.

Nos cálculos da agência de ‘rating', no próximo ano Portugal corre "um risco de derrapagem grande". Por isso, e também pela situação do setor empresarial do Estado, a Fitch acredita que em 2012 terão de ser tomadas mais medidas de austeridade.

Também a agência de notação financeira chinesa Dagong desceu, esta quinta-feira, a nota da dívida de Portugal de BBB+ para BB+, com perspetiva negativa.