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Femicídios são a "ponta do icebergue" da violência contra mulheres

Na Marcha Contra Todas as Formas de Violência contra Mulheres, esta quinta-feira, Catarina relembrou que as mulheres sofrem várias formas de violência, "desde a agressão sexual ao assédio ou várias formas de perseguição", e também a violência obstétrica. "As mulheres têm de ser respeitadas no momento do parto". 
Foto de António Pedro Santos, Lusa.

A iniciativa, organizada por um conjunto de associações e coletivos feministas, ocorreu em Lisboa, Porto, Coimbra, Viseu e Braga, e pretende demonstrar que as denúncias, luta das associações, campanhas de sensibilização e educação, bem como as medidas governamentais, continuam a não ser suficientes para terminar com "esta outra pandemia que se alastra há anos".

No arranque da marcha que se definiu como 'um grito' de revolta contra os episódios de violência contra as mulheres, Catarina disse que “há muitas causas” de homicídios “que não são apuradas” e que “há muita violência para lá do assassinato, que é o fim da linha”.

“A cada ano, 30 mulheres são assassinadas em Portugal. E esta é apenas a ponta do icebergue porque há muitas causas que não são apuradas e muita violência quotidiana que é normalizada. Desde a agressão sexual ao assédio ou várias formas de perseguição”, disse.  

E há um outro, prosseguiu Catarina Martins, “o problema da violência obstétrica. As mulheres têm de ser respeitadas no momento do parto, o que também nem sempre acontece”.

Questionada sobre as declarações da Ordem dos Médicos a negar a existência de violência obstétrica, Catarina respondeu que a Ordem “esteve mal” e que “deve ouvir as mulheres”.

“É uma realidade que é reportada e felizmente sabemos que há também muitos médicos e médicas que sabem que esta é uma realidade e que têm vindo a falar”, relembrou.

“Felizmente, há quem tenha a humildade de ouvir as mulheres e perceber que sim, a violência obstétrica existe em Portugal e tem de ser combatida”, disse. E relembrou que “ninguém pode realizar procedimentos médicos sem o consentimento e autorização da mulher. E isso acontece com o parto em Portugal”.

“Precisamos de viver num país de iguais. Onde homens e mulheres sejam igualmente respeitadas. As mulheres ganham menos, estão mais expostas ao desemprego e a baixos salários, são vítimas de todo o tipo de violência dentro e fora de casa ao longo de toda a sua vida. Temos de mudar a sociedade e combater a estrutura patriarcal porque  a violência contra mulheres que é um dos maiores problemas de segurança pública no país”, concluiu.  

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