Federação Internacional de Jornalistas apoia luta pelos salários na Global Media

17 de janeiro 2024 - 15:17

Trabalhadores do JN e O Jogo discutem em plenário na quinta-feira a suspensão dos contratos. Advogada de trabalhadores do grupo Impala lamenta falta de atenção a casos semelhantes.

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Trabalhadores concentrados em frente à sede do JN, no Porto
Trabalhadores concentrados em frente à sede do JN, no Porto. Foto publicada na página Facebook "Somos JN

Na manhã de quarta-feira, o dinheiro dos salários de dezembro ainda não chegou às contas dos trabalhadores do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo e outras revistas detidas pela empresa Global Notícias, um dos ramos do grupo Global Media. Sem o salário nem o subsídio de Natal pagos, estes trabalhadores já podem solicitar a suspensão dos seus contratos e é esse o tema que estará em debate num plenário marcado para esta quinta-feira às 15h pelos trabalhadores do Jornal de Notícias e O Jogo.

Na semana passada, o CEO do grupo, José Paulo Fafe, disse esperar que uma transferência do misterioso fundo das Bahamas pudesse chegar a tempo de pagar os salário no início desta semana, o que não aconteceu.

A solidariedade com os trabalhadores da Global Media vai além fronteiras, com a presidente da Federação Internacional dos Jornalistas, Maja Sever, a afirmar o seu apoio às reivindicações destes trabalhadores pelo direito ao pagamento dos salários a tempo e horas e o respeito pelos acordos coletivos. "Os nossos colegas não deviam ver as suas condições de trabalho mudarem tão radicalmente em resultado de uma mudança na administração. Apelamos ao grupo para que faça da qualidade da informação uma prioridade dos jornais de que é dono", declarou a presidente da Federação Internacional de Jornalistas.  

As situações de despedimentos e salários em atraso na imprensa portuguesa não são um exclusivo da Global Media, lembrou ao Expresso Isabel Alves, advogada que defende alguns trabalhadores nos processos laborais contra o Grupo Impala, dono de títulos como a Nova Gente ou a Maria. "Pelo menos desde 2011 que há despedimentos e salários em atraso na Impala. Sinto um amargo de boca enquanto cidadã”, diz a advogada, por não ter visto a mesma solidariedade e mobilização. Três anos depois de ter pedido a insolvência da Descobrirpress, uma das empresas de Jacques Rodrigues, e de tentar que o património dos donos servisse para pagar as dívidas de salários e indemnizações aos trabalhadores, o caso continua sem fim à vista nos tribunais. Alguns dos trabalhadores foram convencidos a assinar contrato com outra empresa do grupo, perdendo direitos adquiridos, "com receio de perderem os seus empregos.”

Isabel Alves diz que “os salários em atraso são uma assinatura da empresa" detida por Jacques Rodrigues, entretanto constituído arguido na operação "Última Edição", por suspeitas de dissipar o património da Descobrirpress em proveito próprio e de outras sociedades do grupo e em prejuízo dos credores da empresa, onde se encontram os trabalhadores e o Estado. O dono da Impala foi libertado a troco de meio milhão de euros de caução.