Da reunião entre PS, PSD e Governo saíram novos cortes nos serviços públicos. Foi um acordo que levou o líder parlamentar do PSD a dizer que não há "stress em relação à aprovação do Orçamento". Assim, na quarta-feira Teixeira dos Santos apresentou cortes de 550 milhões de euros, nomeadamente na aquisição de bens e serviços (0,11% PIB), na suborçamentação dos subsídios para o Sector Empresarial do Estado (0,05% PIB), descapitalização da Segurança Social (0,05% PIB), um "novo modelo", não explicado, de gestão e financiamento do sector rodoviário (0,04%PIB), redução das verbas do PIDDAC (0,01% PIB), afectando ainda mais o investimento no desenvolvimento dos distritos, para além de uma receita adicional em concessões de 0,05% do PIB.
Torna-se ainda mais claro que não existe alternativa entre estes os partidos que escolheram a austeridade. A farsa do orçamento para "acalmar os mercados" desenrola-se cada vez mais penosamente.
É ainda de relevar a audição do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, que anunciou o arranque das obras do TGV para o ano de 2011, mais um momento trapalhão, em contradição com o acordo anunciado "sem stress" com o PSD.
Durante esta semana parlamentar, os deputados e deputadas do Bloco de Esquerda ouviram e questionaram ainda os Ministros dos Negócios Estrangeiros, da Justiça, da Administração Interna e da Agricultura, apresentando alternativas e propostas ao orçamento recessivo do Governo.
Ainda esta semana a deputada Ana Drago apresentou também, no âmbito do Orçamento do Estado, uma proposta de vinculação dos professores contratados dos estabelecimentos do ensino pré-escolar, básico e secundário. Esta medida, de elementar justiça, vem da necessidade de conferir direitos a professores precários que realizam as mesmas actividades dos docentes que estão nos quadros, estando, no entanto, excluídos, dos lugares efectivos nas escolas.