Famílias são "alvo a abater" do Governo, diz Confederação

03 de abril 2012 - 17:51

A Confederação Nacional das Associações de Família diz que as alterações no cálculo dos subsídios de maternidade, paternidade e adoção vão penalizar duramente as famílias mais pobres e aumentar a quebra demográfica em Portugal.

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Cortes do Governo criam mais dificuldades às famílias e revoltam a CNAF. Foto Paulete Matos

A CNAF não poupa críticas ao ministro do CDS que anunciou novos cortes nos apoios sociais, destacando-se como sempre no ataque aos mais pobres, os beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Nessa apresentação, Pedro Mota Soares deixou em segundo plano outros cortes no subsídio de doença, maternidade, paternidade e adoção, feitos através da alteração da forma de cálculo.



Ao deixar de incluir o subsídio de natal e o 13º mês no cálculo destas prestações, o ministro antecipou-se às palavras de Peter Weiss, responsável pelo programa de ajustamento português na Comissão Europeia, que veio esta terça-feira admitir que o 13º e o 14º mês do salário de quem trabalha em Portugal foram retirados para sempre.



“Isso é mais uma penalização sobre as famílias, porque diminui a percentagem de comparticipação e essa diminuição é sobretudo penalizadora para as pessoas que têm menos recursos, porque isso afeta a sua qualidade de vida”, disse à Lusa Amândio Alves. Para este dirigente da CNAF, os cortes anunciados terão consequências na diminuição do número de filhos por agregado familiar.



“Penso que já é altura de o Governo e de os políticos deixarem de tratar a família como um alvo a abater e passarem a acarinhar a família”, defendeu o membro da CNAF que também é membro do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos. No programa eleitoral do Governo, negociado logo após as eleições, o CDS destacou como uma vitória sua a introdução de um "visto familiar" do Conselho de Ministros para todas as medidas aprovadas pela coligação de direita. Mas a sucessão de medidas aprovadas que agravam ainda mais as dificuldades das famílias com menos rendimentos permitem concluir que se terá tratado de pura propaganda do partido de Paulo Portas, que agora é duramente criticado, inclusivamente pelos seus antigos aliados.