Na madrugada de sexta-feira, morreu Camilo Mortágua, aos 90 anos. Protagonizou vários episódios da resistência ao Estado Novo e foi condecorado por esse percurso como Grande Oficial da Ordem da Liberdade da República Portuguesa.
Nascido em Oliveira de Azeméis, Camilo Mortágua emigrou para a Venezuela em 1951, com apenas 17 anos. Foi a partir desse país que iniciou a sua militância contra o fascismo em Portugal. Fez parte da Direção Revolucionária Ibérica de Libertação e participou no assalto ao navio Santa Maria, em 1961, sob o comando do capitão Henrique Galvão.
Ainda em 1961, com Palma Inácio e outros, desvia um avião da TAP no percurso entre Casablanca e Lisboa para largar sobre a capital portuguesa 100.000 panfletos contra o regime salazarista. Em 1967, participa no assalto à filial do Banco de Portugal na Figueira da Foz para financiar a atividade antifascista. Nesse mesmo ano, está na fundação da Liga de Unidade e Ação Revolucionária (LUAR).
Depois do 25 de abril, dinamiza a ocupação da Herdade da Torre Bela, no Ribatejo, da qual resultou a criação da cooperativa Torre Bela. Atuará profissional e civicamente na área do desenvolvimento local a partir de Alvito, onde se radicou nos anos 80 e viveu até hoje. Fundou em 1991 a Associação Terras Dentro, nas Alcaçovas. Foi presidente da APURE, Associação para as Universidades Rurais Europeias.
O primeiro volume das suas memórias - Andanças para a Liberdade - no qual relata a sua participação na resistência à ditadura até 1961, narra a sua vida desde a infância na Beira Litoral até à participação na operação no paquete Santa Maria. O segundo volume traça o caminho entre o annus horribilis do regime salazarista e a revolução de 1974.
Nos últimos anos da sua vida, Camilo Mortágua integrou o Bloco de Esquerda, onde já militavam as suas filhas mais novas, Joana e Mariana.
O velório de Camilo Mortágua inicia-se hoje, sexta-feira, às 17h30, na Casa Mortuária de Alvito. O funeral partirá da Casa Mortuária para o Cemitério de Alvito amanhã às 11h.
A todos os familiares, amigos e camaradas de Camilo Mortágua, a direção do Bloco de Esquerda e a redação do Esquerda.net transmitem as suas sentidas condolências.