Acampadas, manifestações enormes, cercos ao parlamento que não nos representa. A actualidade está cheia de respostas concretas de todos nós ao austeritarismo, à democracia sequestrada pela finança. Sejamos gregos, espanholas, islandeses ou portuguesas, a resposta à austeridade está a construir-se à margem do voto e à margem do interesse da comunicação social sequestrada pela finança.
Hoje, o povo do mundo levanta-se para fazer pulsar um novo mundo que cresce dentro deste, mas que nele não cabe. O povo levanta-se por causas, sem responder a agendas pré-formatadas, respondendo pela sua vida, pela sua dignidade, pelo seu futuro agora condenado pelos lucros dos nervosos mercados.
A abstenção no Estado Espanhol nas últimas eleições locais e em Portugal nas legislativas são prova que há uma gigantesca parte da população que não se sente representada por este sistema, que apodrece lentamente. São pessoas que até se movem por causas, que até se mexem no seu bairro, que até estiveram acampadas a construir a maior experiência de democracia verdadeira vista em décadas. Mas não votam, porque acham que não vale a pena.
Estiveram pessoas de partidos envolvidas nas Acampadas do Sol, de Barcelona e muitas outras. Estiveram militantes revolucionários no bloqueio ao Parlamento grego. Estiveram com milhares e milhares de outros, porque partilham do mesmo diagnóstico do sistema: já não consegue vender a sua falsa democracia. Já não acreditamos.
Fechar-se sobre as lógicas de decapitações políticas, de derrubes pré-programados em convenções extraordinárias antropofágicas, não pode fazer parte dum partido-movimento. Não pode ser esta a resposta à abstenção, aos votos nos partidos da troika. Por isso, o Bloco tem de voltar às raízes. Tem de voltar às bases do seu crescimento: a clareza da luta por causas que são de alguns e que juntas, são de todos e todas. Deixemos os chavões demagógicos da elite e falemos directo às pessoas. Organizemos o movimento nas ruas, com o apoio do Parlamento para criar a maior alternativa de sempre contra a máfia financeira que nos raptou as instituições, que nos fez perder a confiança.
Juntemos forças, juntemos causas, juntemos lutas. É urgente construir alguma coisa com todos e todas que não se sentem representados, que se sintam pisadas, que não aguentam mais. Uma causa que é o juntar de todas as outras, e que não caberá neste sistema.