Dinamarca

Fabricante do Ozempic vai despedir nove mil trabalhadores

16 de setembro 2025 - 10:18

É o maior despedimento coletivo da história da Dinamarca e acontece no meio da guerra comercial entre medicamentos para o emagrecimento que se seguiu a pico de vendas do medicamento criado para a diabetes tipo dois.

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Caixas de Ozempic.
Caixas de Ozempic. Foto de Chemist4U/Flickr.

A Novo Nordisk, conhecida por fabricar o medicamento Ozempic, anunciou que vai despedir 9.000 trabalhadores em todo o mundo, o que corresponde a 11% da sua força de trabalho. Mais de metade dos despedimentos, 5.000, serão de trabalhadores da Dinamarca, onde a empresa está sediada. Este será o maior despedimento coletivo da história deste país.

A empresa cresceu rapidamente à conta do Ozempic, um medicamento para a diabetes tipo dois que passou a ser utilizado como forma de emagrecimento. Para o mesmo efeito, somou-se outro: o Wegovy. Em pouco tempo, as vendas dispararam, a empresa aumentou a produção, o número de trabalhadores e chegou a ser considerada a empresa mais valiosa da Europa.

Contudo, a concorrência acabou por entrar em cena. A norte-americana Eli Lilly que produz o Mounjaro e várias outras farmacêuticas passaram a disponibilizar medicamentos semelhantes, muitos deles a preços mais baratos.

Desde meados do ano passado, o valor de mercado da empresa desceu 385 mil milhões de dólares, o preço das ações da empresa caiu 65% desde junho, no mês passado o CEO foi trocado. Mike Doustdar, o novo administrador executivo, diz que “as mudanças”, ou seja em grande medida os despedimentos em massa, “vão proporcionar uma poupança de cerca de 8 mil milhões de coroas dinamarquesas, o que equivale a 1,3 mil milhões de dólares americanos por ano”.

O golpe numa empresa tão grande fez com que o governo dinamarquês revisse, no mês passado, o crescimento económico do país em baixa: de 3% para 1,4%. Reagindo ao anúncio dos despedimentos, contudo, o ministro das Finanças Nicolai Wammen, diz que desta feita “não vê” que o anúncio contenha “alguma coisa que mude as estimativas económicas que o governo fez”, garantindo que “a economia dinamarquesa é extremamente forte”.

Depois dos despedimentos, esta quinta-feira, a Novo Nordisk anunciou o fim do teletrabalho. Numa nota citada pela Reuters, justificou que se trata de alimentar “um sentido de pertença mais forte, fortalecer relações, potenciar colaboração e acelerar processos de decisão”.