Despedimentos

Fábrica têxtil Temasa encerra portas e deixa 70 pessoas no desemprego

22 de fevereiro 2025 - 10:46

Bloco de Esquerda questionou Governo sobre mais esta insolvência no norte do país, agravada pelos salários em atraso. E quer que o executivo identifique as razões por detrás da “onda de insolvências” no setor têxtil da região.

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Trabalhadores da Temasa concentraram-se à porta da empresa
Trabalhadores da Temasa concentraram-se à porta da empresa. Imagem SIC

A fábrica Temasa informou no dia 17 as suas 70 trabalhadoras que iria entrar em insolvência, alegando a falta de encomendas. Esta empresa têxtil de Marco de Canaveses produzia roupas de criança e adulto para várias marcas do grupo Sonae, como a Zippy e as fardas das lojas Worten, Bagga MO, Zippy e do Colégio Efanor. Ela foi adquirida ao próprio grupo Sonae em 2020, pouco antes da pandemia, pelo empresário Andreas Falley.

Em declarações à comunicação social, as trabalhadoras afirmam que apenas metade do salário de janeiro foi pago e o subsídio de Natal de 2024 está ainda por pagar. Além de queixas de assédio laboral desde que a nova gestão entrou na fábrica, as trabalhadoras lembram que o subsídio de férias do ano passado só foi pago após intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre mais uma insolvência no setor têxtil do Norte do país. Em declarações à Antena 1, a deputada Isabel Pires afirmou que a “onda de insolvências” no setor têxtil dos distritos do Porto e Braga “pode significar algo de mais profundo, e aí o Governo deve olhar com atenção para as razões para que isso aconteça e perceber de que forma podemos ter algumas soluções que olhem para este setor”.

“Os dados não indicam qual a motivação concreta destas insolvências, cabe ao Governo tentar entender, através de reuniões com as associações do setor ou aos dados do INE a que tem acesso”, defendeu a deputada do Bloco, lembrando que “o setor têxtil é muito importante na Região Norte”.

Nas questões dirigidas à ministra do Trabalho, o Bloco quer saber qual o acompanhamento que a ACT está a fazer no que diz respeito aos salários em atraso e que medidas tem o Governo previstas para apoiar o setor têxtil do Norte do país, tendo em conta “o número de empresas a encerrar portas e de trabalhadores que se veem, de repente, sem outra alternativa?”