Extrema-direita alemã envia mails com ameaças de morte

20 de julho 2020 - 20:48

15 jornalistas e políticos foram ameaçados este fim-de-semana. Desde 2018, que o NSU 2.0 tem enviado mensagens deste tipo. Vários polícias de Hesse estão a ser investigados por acederem aos dados das pessoas ameaçadas que depois partilhavam com o grupo.

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Manifestação de solidariedade para com as vítimas do NSU em 2013. Fotos de Fraktion DIE LINKE. im Bundestag/Flickr.
Manifestação de solidariedade para com as vítimas do NSU em 2013. Fotos de Fraktion DIE LINKE. im Bundestag/Flickr.

O semanário Welt am Sonntag informou que, este fim de semana, pelo menos quinze pessoas, entre os quais políticos e jornalistas que são conhecidos por assumirem posições contra a extrema-direita, receberam e-mails com ameaças de morte.

As mensagens vinham assinadas pelo NSU 2.0, uma suposta referência ao ressurgimento do grupo Clandestinidade Nacional-Socialista, que matou dez pessoas e fez dois atentados bombistas com motivações racistas antes de ser desmantelado em 2011.

Não é a primeira vez que mensagens com este teor circulam. Pelo menos desde 2018, que vêm sendo feitas ameaças não só a pessoas mas também a organizações judaicas da Alemanha. Entre os recetores das mensagens estão os advogados das vítimas do NSU. Ao todo, terão sido enviados 107 e-mails com ameaças pessoais para além de 87 ameaças de bomba.

Recentemente, foi revelado que agentes da polícia, nomeadamente em Hesse, tinham acedido, através de meios policiais, aos contactos de políticos e imigrantes conhecidos e depois os tinham partilhado com o NSU 2.0, o que levou à demissão do chefe da polícia local por não ter reportado o caso atempadamente.

Os e-mails enviados este fim-de-semana tiveram destinatários “habituais” como uma das advogadas das vítimas do NSU, Seda Basay-Yildiz, e a líder do Die Linke, partido de esquerda alemão. Para além disso, vários meios de comunicação social receberam mensagens assim como o secretário do Interior do estado de Hessen, Peter Beuth, que tratou de investigar o caso do acesso ilegal a informação pela polícia e que, nesse processo, afirmou que não estava fora de possibilidade a existência de um rede organizada de extrema-direita no interior da polícia do seu estado.