Expresso "pede desculpa aos leitores" por ter acreditado em Montenegro

13 de abril 2024 - 11:14

O semanário que tinha titulado “Montenegro duplica descida de IRS até ao verão” qualifica agora a promessa do primeiro-ministro como “mais do que um embuste”. Mariana Mortágua sublinha que “a única promessa que não era a brincar é a redução do IRC sobre os lucros das grandes empresas”.

PARTILHAR
Capa da edição semanal do Expresso.

O semanário propriedade do militante número um do PSD passou do título principal da sua edição semanal “Montenegro duplica descida de IRS até ao verão” a uma nota do diretor em que pede desculpas aos leitores, acusando o primeiro-ministro de “ludibriado os portugueses” no Parlamento.

É o próprio Expresso que explica que a redução do IRS anunciada como a grande medida do executivo no início da legislatura deverá rondar apenas os 200 milhões de euros” com 1,5 mil milhões de euros anunciados a contabilizarem afinal a redução que já está em vigor e que tinha sido aprovada pelo anterior Governo (de 1,33 mil milhões de euros).

Tinha sido Luís Montenegro na Assembleia da República, na passada quinta-feira, a afirmar: “aprovaremos na próxima semana uma proposta de lei que altera o artigo 68º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, introduzindo uma descida das taxas de IRS sobre os rendimentos até ao oitavo escalão. Esta medida vai perfazer uma diminuição global de cerca de 1500 milhões de euros nos impostos do trabalho dos portugueses face ao ano passado, com especial enfoque nos rendimentos da classe média”. O mesmo, aliás, tinha sido proferido em campanha.

No dia seguinte, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, dava o dito de Montenegro por não dito e afirmava que a redução no imposto sobre os rendimentos singulares seria “um desagravamento fiscal significativo” mas de apenas 200 milhões.

Depois do título da sua edição semanal, João Vieira Pereira, o diretor do Expresso sentiu necessidade de transmitir uma “nota do Diretor” com o título “é mais do que um embuste. É enganar os portugueses”.

Num tom pouco habitual para uma comunicação deste género, o responsável do jornal garante que foram seguidas as regras jornalísticas, tendo sido contactado o gabinete do ministro das Finanças e “várias fontes”. Então, “ninguém desmentiu o que tinha sido dito no Parlamento, ninguém corrigiu a informação”. Depois admite que “o Expresso errou”, “publicou uma notícia falsa” e pede desculpas aos leitores por “ter sido ingénuo a acreditar nas palavras do primeiro-ministro de Portugal”. “Não contávamos era com o facto de o primeiro-ministro ter, no Parlamento, ludibriado os portugueses”, justifica-se

Classificam-se as medidas anunciadas pelo novo executivo como “apenas pequenos ajustes sobre a redução já anunciada por António Costa no Orçamento para este ano”. E utiliza-se mesmo a palavra “fraude” uma vez que isto contraria a “ideia que o primeiro ministro vendeu no Parlamento.” e o “que andou durante toda a campanha eleitoral a anunciar”.

A única promessa que não era a brincar é a redução do IRC sobre os lucros das grandes empresas

Numa reação a esta situação publicada nas suas redes sociais, Mariana Mortágua utiliza também a expressão embuste: “a descida do IRS é afinal um embuste”, escreve.

Mas vai mais longe, adiantando que “a única promessa que não era a brincar é a redução do IRC sobre os lucros das grandes empresas”.

Resultado: “ao fim de uma semana” de governo,a imprensa “já pede desculpa aos leitores por ter acreditado em Montenegro”.