Europa: no Sul trabalha-se mais do que na Alemanha

05 de junho 2011 - 11:57

Os trabalhadores do Sul da Europa trabalham muito mais e por vezes durante mais tempo do que os alemães, refere um estudo que contraria as recentes declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre eventual laxismo social em Portugal, Espanha ou Grécia.

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A duração anual média do trabalho de um alemão é de 1390 horas e a de um português é de 1719 horas. Foto de Paulete Matos

A duração anual média do trabalho de um alemão (1390 horas) é muito inferior à de um grego (2119 horas), de um italiano (1773 horas), de um português (1719 horas), de um espanhol (1654 horas) ou de um francês (1554 horas), referem as estatísticas publicadas em 2010 pela OCDE.



“Os alemães trabalham muito menos [por ano e durante a vida activa] que os europeus do Sul. E também não trabalham de forma tão intensiva”, assegura Patrick Artus, chefe da secção de economia do banco francês Natixis e o redactor deste estudo, que se baseia designadamente nos números da ODCE e Eurostat.



“O resultado da produtividade individual da Alemanha está na média dos países do Sul, a da produtividade horária está acima da média mas não é melhor que a da França ou Grécia”, precisa o Natixis.



Embora a idade legal para a reforma na Alemanha (65 anos actualmente, 67 no futuro) seja mais tardia, os portugueses e espanhóis trabalham na prática mais tempo, com uma idade efectiva de início da reforma de 62,6 anos e 62,3 anos, contra 62,2 anos para os alemães, refere ainda o estudo.



Os gregos não estão distantes desta média (61,5 anos) e a reforma das aposentações adoptada na Primavera de 2010 na Grécia impôs o aumento da idade dos 60 para os 65 anos, com o objectivo de garantir uma idade média de 63,5 anos até 2015. Apenas franceses e italianos garantem hoje a reforma mais cedo que os alemães, precisa o estudo com data de 30 de Maio.



Em meados de Maio, a chanceler alemã, Angela Merkel, criticou publicamente as férias e os sistemas de reforma dos países do Sul da Europa, que considerou demasiado generosos. “É necessário que em países como a Grécia, Espanha, Portugal não seja garantida a reforma mais cedo que na Alemanha, e que todos façam os mesmos esforços, é importante”, disse na ocasião.



Numa entrevista, António Chora, coordenador da comissão de trabalhadores da Autoeuropa e terceiro candidato do Bloco de Esquerda no distrito de Setúbal, comentou as declarações da chanceler alemã e declarou que “Angela Merkel não deve conhecer o seu país”. Na Alemanha a lei estabelece 48 horas de trabalho semanal e 20 dias de férias por ano, mas “pela contratação colectiva e pelos acordos de empresa, ninguém trabalha mais de 35 horas por semana ou tem menos de 30 dias de férias por ano”, explicou. E responde a Merkel: se quer a uniformização do que acontece na Alemanha “não nos importamos nada”.



“Angela Merkel não refere quais os verdadeiros problemas dos países do Sul da zona euro”, conclui o chefe economista do Natixis.