Em entrevista ao jornal Diário de Notícias desta quinta feira, António Chora, coordenador da comissão de trabalhadores da Autoeuropa e terceiro candidato do Bloco de Esquerda no distrito de Setúbal, declara que “Angela Merkel não deve conhecer o seu país”. E explica que na Alemanha a lei estabelece 48 horas de trabalho semanal e 20 dias de férias por ano, mas “pela contratação colectiva e pelos acordos de empresa, ninguém trabalha mais de 35 horas por semana ou tem menos de 30 dias de férias por ano”.
Para António Chora, a chanceler alemã “está a aproveitar-se da fragilidade da situação económica dos países periféricos para impor o liberalismo do século XIX”. Perante esta situação, o coordenador da CT da Autoeuropa considera que se exige uma resposta a nível europeu: “Não podemos ter as centrais portuguesas a organizarem manifestações amanhã, as espanholas para a semana e as gregas daqui a um mês. É preciso uma resposta europeia, as centrais têm de se unir”.
Questionado sobre o sucesso da Autoeuropa e o elevado nível de produtividade da fábrica, António Chora responde que “a diferença está nos direitos que os trabalhadores têm, nos salários, nas condições que lhes são dadas. Na maneira como se fala com os trabalhadores, como estes são envolvidos no trabalho”.
Alemanha perde em todas as comparações
Segundo um levantamento feito pelo Jornal de Negócios, os gregos são os que mais trabalham na zona euro - em média 42,5 horas por semana, contra 35,7h dos alemães, que ocupam o antepnúltimo lugar do ranking. Os portugueses trabalham em média, 38,9 horas, mais, portanto, que os alemães. Só os irlandeses e os holandeses trabalham menos horas semanais que os alemães.
Quanto a férias, o número de dias de férias efectivamente gozadas pelos alemães, 30 dias, é o mais alto da Europa, contra 24 dos irlandeses, 23,5 dos portugueses e 23 dos gregos.
Quanto à idade da reforma, segundo o Eurostat, os alemães reformam-se aos 62,2 anos (idade média), mais cedo que os portugueses (62,6 anos).
Merkel, portanto, errou em toda a linha.