Verdade inconveniente: a mentalidade patriarcal permanece enraizada de forma transversal na União Europeia, e as ameaças que dela advêm têm-se revelado crescentes. O resultado? Uma rota regressiva no que à garantia dos direitos das mulheres e das raparigas confere, que não podemos, nem devemos, ignorar.
Ouve-se amiúde que o feminismo já não faz sentido no território europeu. Aliás, crescem as vozes que incentivam e normalizam a construção de uma narrativa que apregoa que o feminismo já foi, inclusive, longe demais. Mas será mesmo assim? Nesta sessão, iremos olhar para alguns dos indicadores que nos dão pistas sobre o cenário diário que tantos tentam camuflar, para garantir a manutenção do status quo machista: as disparidades de género continuam presentes ao nível do emprego, da remuneração, das pensões e dos cuidados, tendo a pobreza um rosto feminino. A igualdade está longe de ser uma realidade quando falamos de lugares de poder e de decisão, assim como na representatividade política, na segurança e na autodeterminação corporal. Os discursos de ódio sexistas, a violência misógina nas mais diversas dimensões e formatos, as escolhas feitas com base em estereótipos de género e a falta de uma justiça efetiva que lhes faça frente ainda pauta o dia-a-dia da população da UE.
Realidades que travam um objetivo que está longe de ser concretizado: tornar a Europa num território onde mulheres e homens, rapazes e raparigas têm a garantia de igualdade e de liberdade nas suas vidas e respetivas escolhas, com a possibilidade de uma participação plena e ativa nas várias dimensões da sociedade, a par de oportunidades que lhes permitam, independentemente do sexo ou género, realizar o seu potencial.