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EUA: Polícia lança gás lacrimogéneo contra migrantes

Esta terça-feira, a Polícia de Fronteira dos Estados Unidos disparou gás lacrimogéneo contra um grupo de 150 migrantes, atingindo mulheres e crianças.
Foto de JOSEBETH TERRIQUEZ, EPA/Lusa.

No total, foram detidas 25 pessoas, entre as quais dois adolescentes. A maioria dos migrantes voltou para o México.

As autoridades norte-americanas tentaram justificar o lançamento de gás lacrimogéneo, gás pimenta e fumo para território mexicano, na zona de Tijuana, argumentando que não dispararam contra os migrantes que tentavam cruzar a fronteira de forma ilegal, e sim contra um grupo que estava a arremessar pedras.

A Associated Press contraria, contudo, esta versão, avançando que só foram lançadas pedras após o ataque com gás lacrimogéneo. Uma testemunha da Reuters afirmou ainda que um migrante foi atingido por aquilo que parecia ser uma cápsula de gás lacrimogéneo.

Justin Mazzola, vice-diretor de investigação da Amnistia Internacional (AI), afirmou que as ações das autoridades norte-americanas devem ser vistas como parte da agenda anti-imigração do governo Trump.

"Usar gás lacrimogéneo contra homens, mulheres e crianças à procura de proteção é cruel e desumano", declarou Mazzola.

"É preciso haver uma investigação completa e independente sobre o uso relatado de gás lacrimogéneo e outros agentes neste incidente. No entanto, este incidente deve ser examinado dentro do contexto mais amplo das políticas dos EUA na fronteira", acrescentou.

De acordo com o responsável da AI, “a administração Trump está a desafiar o direito internacional e a gerar uma crise ao afastar deliberadamente os requerentes de asilo dos portos de entrada, colocando em risco as famílias que não veem outra opção senão tomar medidas desesperadas à procura de proteção".

"Essas políticas perigosas devem terminar imediatamente. Os EUA devem receber as pessoas com segurança no país enquanto os seus pedidos de asilo são revistos", defendeu.

Esta é a segunda vez nos últimos meses que agentes federais recorrem ao uso de gás lacrimogéneo para dispersar a migrantes que tentam cruzar de forma clandestina a fronteira com os Estados Unidos.

As tensões intensificaram-se nos últimos dias face à morte de duas crianças migrantes sob custódia dos EUA e à paralisação parcial (‘shutdown’) do governo federal dos Estados Unidos perante a recusa, por parte de Trump, em aprovar o orçamento preparado pelo Congresso caso este não integre o financiamento de um muro na fronteira com o México, no valor de cinco mil milhões de dólares.

Trump escreve sobre morte de duas crianças migrantes sob custódia dos EUA

No passado sábado, Donald Trump escreveu no Twitter sobre a morte de duas crianças migrantes sob custódia dos EUA. O presidente norte-americano culpou os democratas pelas mortes: “Qualquer morte de crianças ou outros na fronteira é estritamente culpa dos democratas e das suas patéticas políticas de imigração que permitem que as pessoas façam a longa viagem a pensar que podem entrar no nosso país ilegalmente. Não podem. Se tivéssemos um Muro, eles nem sequer tentariam!”

 

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