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EUA deixam de apoiar coligação saudita na guerra do Iémen

Biden diz que vai deixar de apoiar ataques mas garante ainda assim que vai ajudar a Arábia Saudita na sua defesa. O presidente dos EUA tirou os rebeldes Houthis da lista de organizações terroristas. Estes apelam ao fim das agressões da coligação.
Apoiantes dos Houthis em Sanaa. 05 de fevereiro de 2021. Foto de YAHYA ARHAB/EPA/Lusa.
Apoiantes dos Houthis em Sanaa. 05 de fevereiro de 2021. Foto de YAHYA ARHAB/EPA/Lusa.

Na primeira declaração sobre política externa enquanto presidente norte-americano, Joe Biden anunciou o fim do apoio do seu país às operações militares da coligação dirigida pela Arábia Saudita que luta contra os rebeldes Houtis no Iémen. Na sua intervenção destacou que a administração que lidera vai reforçar “os esforços diplomáticos para acabar com a guerra”, considerando que esta “criou uma catástrofe humanitária e estratégica”. Na mesma declaração, esta quinta-feira, cancelou a retirada de tropas da Alemanha.

Trata-se da inversão de duas políticas levadas a cabo por Donald Trump. O secretário de Estado Antony Blinken acrescentou a estas a retirada dos Houtis da lista de organizações consideradas terroristas onde tinham sido colocados nos últimos dias de governo do anterior presidente.

Na sequência da altura de postura do governo norte-americano foi nomeado um novo responsável diplomático, Timothy Lenderking, que será enviado especial para o país.

Na sexta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, acrescentou deu mais um golpe simbólica na aliança com os sauditas ao declarar: “claro que esperamos que a Arábia Saudita melhore os seus registos sobre direitos humanos. Isso inclui libertar presos políticos como as defensoras dos direitos das mulheres”.

Contudo, o fim do apoio às operações ofensivas desta guerra e de “vendas relevantes de armas”, não significa que o EUA deixem de apoiar a Arábia Saudita. O próprio Biden, na sua declaração, fez questão de matizar dizendo que os norte-americanos continuarão a apoiar aquele país contra ataques de mísseis, de drones e “outras ameaças por parte do forças abastecidas pelo Irão em vários países”.

E também a retirada dos Houthis da lista de organizações terroristas não significa que estes tenham passado a ser vistos com melhores olhos. Antony Blinken esclareceu que "esta decisão não tem nada a ver com o que pensamos dos Huthis e da sua conduta condenável, que inclui ataques a civis e o rapto de cidadãos norte-americanos", acrescentando que a decisão se deve "unicamente às consequências humanitárias desta designação de última hora pela administração anterior, que as Nações Unidas e as organizações humanitárias têm desde então deixado claro que iria acelerar a pior crise humanitária do mundo".

Do lado Houthi, há quem saúde a decisão do fim do apoio aos ataques mas sobretudo espera-se para ver. O chefe do Comité Revolucionário Supremo dos Houthis, Mohammed Ali al-Houthi, escreveu no Twitter que “qualquer jogada que não alcance resultados no terreno acabando com o bloqueio e a agressão permanece uma formalidade”. Um tom diferente de Hamid Assem, um dos responsáveis Houthis em Sanaa, usou em declarações à AFP: “esperamos que seja o começo de uma decisão que visa acabar com a guerra no Iémen”. O movimento apelou ao fim dos ataques externos ao país.

A Arábia Saudita envolveu-se no conflito do Iémen em março de 2015. Os rebeldes Houthis tinham conquistado o poder e entrado na capital Sanaa em setembro de 2014. A Arábia Saudita envolveu os Emirados Árabes Unidos e outros estados da região na defesa do governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi por si apoiado. O ocidente providenciou armas e o Irão está do lado dos rebeldes fazendo com a guerra escalasse e durasse, sendo avaliada como a maior catástrofe humanitária atual pela ONU. O número de mortes é estimado em 233 mil. Atualmente 80% da população necessita de apoio alimentar e está à beira da fome.

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