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Estudo revela contributo de Portugal para campanha de Bolsonaro nas redes sociais

Um relatório da autoria da Alto Analytics sinaliza o peso dos falsos perfis na campanha eleitoral online do atual presidente brasileiro e a forma como um grupo localizado em Portugal esteve altamente envolvido no apoio a Bolsonaro.
Foto de Marcos Brandão/Senado Federal, Flickr.

Ao analisar as localizações geográficas de utilizadores com maior envolvimento na campanha brasileira, a Alto Analytics confirmou que “a maioria desses utilizadores estava localizada no Brasil (55,5%) e que cerca de 1/3 deles (37,9%) não indicavam as respetivas localizações nos seus perfis. Outras localizações geográficas de utilizadores incluíram os Estados Unidos (4.321 utilizadores), Argentina (1.739 utilizadores), Portugal (1.412 utilizadores), Espanha (1.352 utilizadores) e Venezuela (785 utilizadores).

“Ao analisar as interações dos utilizadores, os analistas descobriram que os utilizadores argentinos e venezuelanos tendiam a agrupar-se e interagir mais ativamente com a comunidade de esquerda. Um pequeno grupo de utilizadores localizados em Portugal tendeu a estar altamente ligado à comunidade de Bolsonaro”, lê-se no documento.

Os dados disponibilizados pela Alto Analytics não permitem apurar se a totalidade dos apoios online de Bolsonaro em Portugal eram contributos reais ou se integravam os detetados "falsos perfis" com que Bolsonaro conseguiu liderar a campanha nas redes sociais.

O estudo dá conta do peso dos bots (aplicações de software concebidas para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão, da mesma forma como faria um robô) na campanha desenvolvida na internet.

A Alto Analytics verificou que a campanha de Jair Bolsonaro, ainda que tendo um número muito inferior de perfis de simpatizantes do que os seus adversários, o equivalente a cerca de um terço, registou o triplo da atividade.

"O centro-esquerda era a maior comunidade: 138 802 utilizadores que geraram 1 780 305 mensagens, 13 por utilizador. A comunidade da direita era mais ativa: com apenas 50 355 utilizadores a gerar 5 921 834 mensagens, 117 por utilizador, o que pode ser considerado um sinal antecipado de nível anormal de atividade", referem os analistas.

No caso Twitter, por exemplo, verificaram-se casos de utilizadores com mais de 4000 retweets. A Alto Analytics estima que 30% de todos os retweets da campanha da direita e da esquerda foram publicados por apenas 1,3% dos utilizadores. A comunidade de Bolsonaro contou com 663 utilizadores com essa atividade "anormal". Já a comunidade afeta a Haddad, Ciro Gomes e Marina Silva tinham menos de metade, 290 utilizadores, com esses níveis altos de atividade.

"O impacto digital de Bolsonaro foi muito superior ao de qualquer outro candidato no Twitter. A sua comunidade reuniu seis dos 15 perfis mais influentes da rede", enfatiza o relatório.

Os analistas fazem ainda referência ao facto de a comunidade de Bolsonaro ser “a única comunidade com um domínio não brasileiro nos seus domínios mais compartilhados: Gab.ai”, sendo que, “apenas no Twitter, 8.430 utilizadores compartilharam pelo menos um conteúdo do Gab.ai durante o período de análise”.

De acordo com a Wikipedia, o Gab.ai é um serviço de rede social sedeado em Filadélfia, Pensilvânia, e foi criado como uma alternativa ao Twitter. O Gab é descrito como uma plataforma para os defensores da supremacia branca e o alt-right.

O estudo revela ainda que, à medida que a eleição se aproximava, a atividade da comunidade de Bolsonaro duplicou, de 30 mil para 60 mil mensagens diárias nas redes. "A sua atividade foi contínua sem que houvesse uma hora do dia sem publicar", sinaliza o documento.

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