Estudo prova que aquecimento global agravou cheias na Alemanha e Bélgica

24 de agosto 2021 - 19:10

Cientistas de vários países do mundo juntaram-se e a conclusão é que as alterações climáticas provocadas pelo ser humano aumentam a probabilidade e intensidade de fenómenos como o que vitimou mais de 200 pessoas em meados de julho no centro da Europa.

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Enchente do Ahr em Altenahr. Foto de Martin Seifert/wikimedia commons.
Enchente do Ahr em Altenahr. Foto de Martin Seifert/wikimedia commons.

Segundo um estudo da World Weather Attribution, o aquecimento global agravou a probabilidade e a intensidade das chuvas fortes associadas ao sistema de baixa pressão Bernd que, entre 12 a 15 de julho, causaram graves inundações na Alemanha, Luxemburgo, Bélgica e Holanda. Nessa altura, pelo menos 184 pessoas morreram na Alemanha e 38 na Bélgica, para além de danos materiais pesados.

Cientistas dos países mais afetados, como a Alemanha, a Bélgica e a Holanda, juntaram-se a outros da França, Suíça, Estados Unidos e Reino Unido para avaliar em que medida as alterações climáticas provocadas pelo ser humano influenciaram o evento.

Observou-se que as quantidades de chuva perto dos rio Ahr e Erft na Alemanha e do Meuse na Bélgica bateram os “recordes historicamente observados por largas margens”. Segundo os investigadores, a sua probabilidade foi aumentada nove vezes, com pelo menos 20% de probabilidade suplementar, pelas alterações climáticas e o mesmo fator aumentou a quantidade de chuva num dia entre 3% a 19%.

Apesar de não se conseguir prever exatamente onde irão acontecer, é esperado que “eventos como este ocorram com mais frequência no futuro”. A conclusão é lapidar: “somando todas as provas disponíveis, incluindo o conhecimento da Física, as observações numa região alargada e diferentes modelos climáticos regionais, temos uma alta confiança de que as alterações climáticas provocadas pelo ser humano aumentaram a probabilidade e a intensidade de um evento” deste tipo e “estas alterações continuarão”. Já sobre a onda de calor que percorreu o Canadá e o Oeste dos EUA no final de junho, a conclusão tinha sido que este seria “quase impossível” sem o atual contexto de alterações climáticas.