Estudo ibérico aponta o Chega como motor da desinformação em Portugal

30 de maio 2025 - 18:10

Um relatório sobre Portugal e Espanha identifica os partidos de extrema-direita como os principais responsáveis pela promoção de mentiras no espaço público.

PARTILHAR
Dirigentes do Chega depois da audiência com o Presidente da República.
Dirigentes do Chega depois da audiência com o Presidente da República. Foto de António Cotrim/Lusa.

O relatório “Uma perspetiva ibérica: Desinformação eleitoral nos media em Espanha, Portugal e na União Europeia e ferramentas de identificação” da responsabilidade da SmartVote indica que a desinformação eleitoral cresce cada vez mais em Portugal e em Espanha e que o seu motor principal é a extrema-direita.

A SmartVote é um consórcio liderado pela Fundación Cibervoluntarios, uma Organização Não Governamental que funciona como uma rede de milhares de voluntários e se descreve como “dedicada à promoção do conhecimento e uso da tecnologia para o empoderamento dos cidadãos e a salvaguarda dos seus direitos”. Dele fazem parte ainda a Universidade Carlos III de Madrid, a Universidade Politécnica de Madrid, o Cenjor de Portugal, o Club Abierto de Editores e o Obercom, Observatório da Comunicação português, que coordenou este estudo.

Este trabalho de 87 páginas conclui que “tanto Espanha como Portugal assistiram a um aumento da desinformação eleitoral, particularmente durante as eleições legislativas, com as redes sociais a desempenharem um papel central na disseminação de conteúdos falsos”.

Como “principais fontes de desinformação” surgem claramente identificados o Chega e o seu congénere espanhol, o Vox, e “os temas-chave incluem fraude eleitoral, corrupção e imigração”.

Fazem-no através de métodos já muito conhecidos como as imagens falsas, os vídeos manipulados e o uso de sondagens enganosas. As narrativas também são mais que conhecidas: a mentira de que os imigrantes ao chegar ao país recebem subsídios de centenas de euros do Estado, imagens que ilustrariam a “imigração descontrolada” e que são provenientes de outros países, etc.

Os dois países ibéricos são caracterizados por “baixa participação eleitoral entre os jovens, impulsionada pelo desinteresse político, pela insegurança económica e por fatores relacionados com a identidade, sendo os partidos situados nos extremos frequentemente as únicas forças capazes de mobilizar estes eleitores”.

Contudo, há diferenças entre a situação destes: “enquanto Espanha enfrenta uma maior polarização política e uma reposta institucional mais forte à desinformação, Portugal continua a ser menos polarizado, mas cada vez mais exposto à instabilidade política e à desinformação digital, com abordagens regulatórias mais suaves”.