Estivadores espanhóis solidários recusam operar navios desviados de Lisboa

07 de março 2020 - 11:59

A organização sindical dos estivadores espanhóis divulgou a sua solidariedade com os estivadores de Lisboa e anunciou que não vão operar os navios que sejam desviados para Espanha. Este sábado cumpre-se no porto de Lisboa o décimo oitavo dia de greve.

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Estivadores espanhóis estão solidários com os estivadores de Lisboa e não vão operar navios desviados - Foto do porto de Algeciras
Estivadores espanhóis estão solidários com os estivadores de Lisboa e não vão operar navios desviados - Foto do porto de Algeciras

Esta sexta-feira, o vice-presidente do SEAL, Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística, José Monteiro, declarou à Lusa: “O International Dockworkers Council (IDC), que representa cerca de 140 mil estivadores em todo o mundo, tinha anunciado que ia apelar a ações de solidariedade com os estivadores de Lisboa e hoje a Coordinadora Estatal de Trabajadores del Mar revelou que não vai operar navios desviados para portos espanhóis devido à greve dos estivadores de Lisboa”.

O vice-presidente do SEAL acrescentou que “de acordo com a informação que nos transmitiram, há já um primeiro navio, Raquel S, de pavilhão português, que estará a caminho dos portos espanhóis de Las Palmas e Algeciras, mas que não vai poder fazer a movimentação de cargas devido à solidariedade dos estivadores espanhóis [para] com os de Lisboa”.

Manuel Cabello Sanchez, estivador no porto de Algeciras e dirigente sindical da Coordinadora, sai em defesa dos estivadores do porto de Lisboa:

Questionado pela Lusa sobre os contactos com as entidades patronais, José Monteiro diz que, apesar da paralisação quase total do porto de Lisboa, os únicos contactos têm acontecido são para estabelecer os serviços mínimos na Direcção Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). O sindicato considera que a solução conflito só é possível com a mediação do governo, mas não houve qualquer contacto por parte do ministério das Infraestruturas e da Habitação.

Esta sexta-feira, 6 de março, também foi anunciado pela A-ETPL, Associação – Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa, que foi notificada da sentença de declaração de insolvência da empresa e da nomeação do administrador de insolvência, pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Juízo de Comércio de Lisboa - Juiz 7, que fixou um prazo de 30 dias para reclamação de créditos.

Na passada quarta-feira, Catarina Martins visitou os estivadores em luta, defendeu a intervenção do governo e declarou que o que se está a passar no porto de Lisboa é “uma fraude, porque das duas, uma: ou a empresa fez um acordo com o Governo português que não pode cumprir, porque afinal é uma empresa insolvente, sem recursos, não pode investir no porto de Lisboa, ou a empresa tem dinheiro e não está a cumprir a lei do trabalho”.