Cerca de 500 trabalhadores da empresa de construção Ensul Meci, com sede no Monte da Caparica, Almada, estão com dois meses de salários em atraso e 4 meses de subsídio de alimentação também em atraso. Alguns trabalhadores vivem situações dramáticas, com empréstimos por pagar e até água e luz cortadas.
Luís Leitão da União de Sindicatos de Setúbal disse à agência Lusa: "Os trabalhadores estão desde quinta-feira à porta da empresa na defesa do património. A empresa, que ainda não está em insolvência, tem dois meses de salários em atraso e os subsídios de alimentação desde fevereiro".
O sindicalista referiu ainda que “a administração da empresa está demissionária há mais de um mês e os trabalhadores estão em vigília, efetuando turnos, para que não seja retirado material, algo que já foi tentado” e acusou um dos administradores da empresa de “estar em Timor com o Presidente da República quando deve a 500 trabalhadores”. Em algumas obras, existem trabalhadores do grupo que têm recebido o salário, mas a agência Lusa tentou contactar a administração da empresa e não conseguiu.
Francisco Louçã visitou na tarde desta sexta feira a concentração dos trabalhadores junto às instalações da empresa no Monte da Caparica, Almada. Em declarações à comunicação social, o deputado de Bloco de Esquerda salientou que os trabalhadores estão quase com 3 meses de salários em atraso e em risco de desemprego e afirmou : “O desemprego não é uma oportunidade para ninguém. É, pelo contrário, um país que perde oportunidades, que perde responsabilidades, que perde empresas, que perde a vida das pessoas, que despreza as pessoas”.
O dirigente do Bloco criticou a administração da empresa por não dar a cara, quando a empresa sempre teve enormes lucros.
Lembrando que todos os dias se assiste ao encerramento de empresas, Francisco Louçã destacou que esta “é uma grande empresa”, com trabalhadores “qualificados para a construção civil normal e para obras especializadas”, considerou que “o trabalho não pode ser desprezado” e desafiou o ministro da Economia a assumir responsabilidades e prestar contas.
O coordenador da comissão política do Bloco frisou ainda que “o desemprego cria oportunidades para as falências, oportunidades para a desgraça, oportunidades para a traficância, oportunidades para o jogo de interesses, mas não para as pessoas”.