Ensino Superior: Estudantes acusam Governo de "faltar à verdade"

28 de novembro 2011 - 12:05

As principais associações académicas acusam o Governo de "falta de verdade" por afirmar que não há atrasos no pagamento de bolsas de estudo no Ensino Superior.

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Algumas instituições de Ensino Superior não concluíram sequer a análise de dez por cento dos seus processos" para atribuição de bolsas de estudo, dizem os estudantes. Foto de Paulete Matos.

Num documento aprovado numa reunião realizada este domingo em Braga e subscrito por nove organizações estudantis é afirmado que, ao contrário do que assegura o Ministério da Educação e Ciência, "algumas instituições de Ensino Superior não concluíram sequer a análise de dez por cento dos seus processos" para atribuição de bolsas de estudo.

A abertura de um novo período de candidaturas a bolsas, como sucedeu em anos anteriores, para os alunos que entraram este ano nas universidades e politécnicos é outra das exigências dos estudantes, que, numa nota enviada à Lusa, recordam a promessa feita nesse sentido pelo ministro Nuno Crato.

Os dirigentes estudantis acordaram ainda condenar a “ausência de comunicação" entre o Ministério da Educação e as associações estudantis, "evidenciando uma histórica indisponibilidade para reunir com o movimento associativo" e a "ausência de respostas a todas as propostas apresentadas", cita a Lusa.

Foi ainda decidido pedir audiências urgentes ao Presidente da República, primeiro-ministro, Ministério da educação e Ciência, Conselho de Reitores e Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos.

Na reunião deste domingo participaram, entre outros, os dirigentes estudantis das universidades do Minho, Trás-os-Montes, Aveiro, Porto, Coimbra, Lisboa, Évora e Algarve, bem como da Federação de Associações dos Politécnicos.

Bloco questionou Ministério sobre a exclusão de estudantes candidatos pela primeira vez à Ação Social Escolar no Ensino Superior

As candidaturas às bolsas de estudo no âmbito da Ação Social Escolar no Ensino Superior sofreram alterações neste ano letivo 2011-2012. No ato de inscrição no Ensino Superior foi exigido aos alunos que colocassem no formulário a morada em tempo de aulas, o que veio dissuadir muitos destes estudantes da candidatura às bolsas de estudo da Ação Social pois consideraram que, à semelhança do que tinha sido a prática dos anos anteriores, poderiam candidatar-se posteriormente à matrícula na instituição de ensino superior onde viessem a ser colocados.

Vários Serviços de Ação Social do país receberam estudantes nesta situação – desconhecendo os novos procedimentos de candidatura às bolsas de estudos, acabaram por ficar excluídos da mesma.

Para o Bloco, neste contexto de crise económica profunda, com uma diminuição galopante dos rendimentos familiares, acompanhada dum recurso cada vez maior aos apoios do Estado, é absolutamente determinante que o acesso dos estudantes aos apoios da Ação Social Escolar seja o mais facilitado possível.

“Para muitos, são estes auxílios económicos que permitem a frequência dos estudos para lá do ensino secundário”, lembra o Bloco que dirigiu várias questões ao Ministério da Educação, pedindo explicações sobre esta situação.