A concentração, convocada pelo movimento "Que se Lixe a Troika", decorreu numa altura em que o Conselho de Estado ainda estava reunido no Palácio de Belém, para discutir a situação "pós-troika".
A praça Afonso de Albuquerque, situada defronte do palácio presidencial, estava dividida ao meio por um gradeamento, onde foram colocados os manifestantes.
O protesto iniciou-se às 17h, mas perto das 18h começou a juntar um maior número de manifestantes, que, ao som de apitos e de panelas, pediram, ruidosamente, a demissão imediata do Governo PSD/CDS-PP.
A atriz Luísa Ortigoso, uma das signatárias do movimento "Que se Lixe a Troika", disse à agência Lusa que "o Presidente da República não está a exercer as suas funções, que passam pela defesa da Constituição", adiantando que o que se impõe é a demissão do Governo.
A atriz salientou que as políticas de direita e neo-liberais do Governo "são um ataque transversal a toda a sociedade".
"Nunca se viu tanta gente a ser atacada. Por isso, a demissão do Governo tem de ser já", disse ainda.
Maria Angelina Alves, reformada da Função Pública, disse que se deslocou a Belém para manifestar "o desagrado pela política seguida pelo Governo e pelo comportamento do Chefe de Estado, que é muito triste".
Esta reformada, de 63 anos, disse que o Presidente da República, Cavaco Silva, devia demitir o Governo e sublinhou que os mais prejudicados com as medidas de austeridade são os reformados, os funcionários públicos e os jovens.
Manuel Carvalho, 77 anos, disse que "a situação do país está cada vez pior".
"Isto é uma miséria. Este país está um caos", afirmou, lamentando que os reformados estão a ser "atacados", porque já não podem reivindicar.
Ao som de música de intervenção e buzinas, alguns manifestantes exibiram cartazes nos quais se lia "Conselho dos Vampiros", "Cavaco, morreste e não te avisaram" e "Um Governo que não respeita os seus velhos não é digno do respeito da sociedade". Palavras de ordem como "Está na hora do Governo ir embora" e "Demissão, demissão" estiveram entre as palavras de ordem mais ouvidas.
O movimento "Que se Lixe a Troika" aproveitou o protesto para recolher assinaturas para a moção de censura popular destinada a pedir a demissão do Governo.
A moção de censura - que foi lançada na manifestação de 2 de março - será entregue ao Presidente da República e à Assembleia da República.
CGTP pede novas eleições, UGT quer clarificação das políticas do Governo no Conselho Estado
Arménio Carlos sublinhou que "não se pode discutir o futuro sem encontrar respostas para o presente".
"O governo tem consciência que colocou o país numa situação insustentável. É preciso evitar o mal maior e criar as condições para que o Conselho de Estado se pronuncie sobre a demissão do Governo e a convocação de eleições", disse.
À saída da reunião de concertação social de preparação do Conselho Europeu de quarta-feira, o secretário-geral adjunto da UGT, Nobre dos Santos, pediu para que saia do Conselho de Estado "uma clarificação da política do país e dos diferentes atores".
A reunião do Conselho de Estado foi convocada há uma semana pelo Presidente da República, que explicou que considera "importante ouvir a reflexão dos conselheiros de Estado sobre matérias de relevância clara em Portugal, à medida que se aproxima o fim do programa de assistência financeira mas também para obter indicações para a posição portuguesa a ser defendida, pelo Governo português, no Conselho Europeu do mês de junho".
O presidente do Governo Regional dos Açores, o socialista Vasco Cordeiro, foi o único conselheiro de Estado a não comparecer, justificando a ausência por hoje também se assinalar o Dia dos Açores. A este propósito, Carlos César, ex-presidente do Governo Regional, apelidou Cavaco Silva de “ignorante”, por se ter esquecido da data que celebra a autonomia dos Açores.
