"As necessidades de saúde das pessoas não se coadunam com processos de contratação burocráticos negligentes, completamente indolentes e obsoletos", lê-se numa nota de imprensa assinada por Germano Couto.
O bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE) referiu que há colegas que se aposentam e não são substituídos e há situações de doença ou de licenças parentais que não obtêm o necessário apoio de retaguarda, sendo que a região centro tem sido um exemplo dessas políticas.
Tendo em conta o número de inscritos na OE no final do ano passado, os seis distritos da região centro contavam com 6,4 enfermeiros por 1.000 habitantes, uma relação muito aquém dos países da OCDE, que é de 8,6 profissionais. Segundo Germano Couto, existe "uma carência de 5000 enfermeiros no total do setor público, privado ou social" na região.
"É preciso deixar de apostar numa Saúde extremamente medicalizada e investir na prevenção da doença e na promoção de hábitos de vida saudáveis", apostando numa saúde preventiva com enfermeiros, e pondo termos a "grupos instalados que preferem manter o atual status quo a defender o superior interesse do cidadão", defendeu ainda o enfermeiro.
Sindicato defende que contratações anunciadas pelo Ministério são insuficientes
Após o anúncio, por parte do Ministério da Saúde, da contratação de mais mil profissionais, o Sindicato dos Enfermeiros (SEP) considerou que este número é insuficiente para resolver o problema dos dias de trabalho em dívida, dos turnos extraordinários e das folgas não gozadas.
Esta estrutura sindical lembra ainda que já estão autorizados em pendentes 929 contratações, o que significa que “o Ministério da Saúde só vai contratar mais 71 enfermeiros, até ao final do ano”.
O SEP exige, assim, que o Ministério da Saúde anuncie quantos enfermeiros vai contratar, ainda em 2014, “que permita minimizar os problemas de funcionamento das instituições” e que “apresente um plano de contratação de médio e longo prazo”.
Mediante a degradação das condições laborais dos enfermeiros, o SEP marcou uma greve nacional para os dias 24 e 25.
Bloco quer reconhecimento da categoria de enfermeira/o especialista
Esta sexta feira, o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República um projeto de resolução no qual defende o reconhecimento da categoria de enfermeira/o especialista bem como a sua integração na carreira especial de enfermagem.
No documento, os bloquistas denunciam que “a desregulação do exercício especializado em enfermagem” acarreta “consequências para a prestação de cuidados disponibilizados à população” e “instala a confusão entre as/os profissionais de enfermagem”.
“A atual ausência de relação entre a habilitação para o exercício especializado e a progressão na carreira tem criado perturbação em diversos contextos clínicos”, avança o Bloco, sublinhando que “estamos perante uma incongruência clara entre o que está preconizado na legislação - prevendo a formação especializada em enfermagem e permitindo o título de enfermeiro especialista - mas não reconhecendo na prática um espaço de atuação próprio à/ao enfermeira/o especialista”.