Autoeuropa

Encerramento da Vanpro deixa 475 trabalhadores no desemprego

11 de junho 2025 - 18:02

Empresa fabrica assentos de automóvel para a Autoeuropa há 30 anos, mas a Volkswagen escolheu uma nova empresa no concurso para o novo modelo da marca. Trabalhadores procuram soluções noutras empresas do parque industrial.

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Produção na fábrica da Vanpro.
Produção na fábrica da Vanpro. Imagem de um video publicado pela empresa no Facebook.

A notícia já era esperada desde dezembro, quando se soube que a Vanpro tinha perdido o concurso para fornecer assentos para o modelo híbrido do automóvel T-Roc fabricado na Autoeuropa. Agora confirma-se que a empresa irá mesmo parar de produzir em outubro e fechar portas no primeiro trimestre de 2026.

“Recebemos a notícia com tristeza porque fomos sempre considerados um fornecedor dentro do top 10 da Autoeuropa”, disse aos jornalistas Sónia Almeida, da Comissão de Trabalhadores da Vanpro. A empresa nasceu praticamente com o parque industrial da Autoeuropa, a partir de uma joint-venture formada pela Adient e pela Faurecia, e tinha a Volkswagen como única cliente.

O tempo que decorreu entre o anúncio do provável encerramento e a confirmação agora conhecida permitiu aos trabalhadores negociarem as condições do despedimento coletivo e possíveis alternativas de colocação noutras empresas do parque industrial.

Nessas negociações com a Vanpro, alcançaram um valor de indemnização de 1,2 salários por ano de trabalho “quando o cálculo da lei seria entre 0,4 e 0,6. Além disso acrescenta também um prémio de assiduidade que poderá chegar aos 1800 euros por trabalhador”, referiu Sónia Almeida.

Os trabalhadores também encetaram diligências junto da nova empresa que ganhou o concurso e até agora “foram disponibilizadas cerca de 125 vagas e o processo de entrevistas está a decorrer”, acrescentou.

Daniel Bernardino, coordenador das CT do Parque Industrial, diz que este número de eventuais contratações fica muito aquém do total de trabalhadores agora despedidos pela Vanpro e acusou a Volkswagen de estar a seguir “soluções economicistas, procurando empresas mais novas e que ficam fora do Parque Industrial, não pagam condomínio, reduzem custos e contratam novos trabalhadores com salários o mais baixo possível, que poderá até ser o salário mínimo nacional”.

Para tentar encontrar trabalho para os restantes trabalhadores da Vanpro, Daniel Bernardino diz que  estão a contactar “todas as 19 empresas” do Parque Industrial da Autoeuropa no sentido de que as vagas por preencher possam vir a ser ocupadas por estes trabalhadores com qualificações compatíveis,