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Embalagens descartáveis associadas a presença de químicos perigosos no organismo

Um estudo europeu encontrou amostras de químicos perigosos no organismo dos participantes num estudo europeu. Segundo a associação Zero, estas substâncias estão associadas a doenças como o cancro ou doenças cardiovasculares.
Embalagens descartáveis associadas a presença de químicos perigosos no organismo
Fotografia de Rusty Clark/Flickr.

A amostra é reduzida, mas indica uma preocupante ligação entre embalagens descartáveis e a saúde humana: um estudo europeu analisou 52 pessoas de vários países europeus, entre eles Portugal, e detetou entre 18 e 23 substâncias químicas perigosas no organismo, resultantes da utilização de embalagens alimentares descartáveis.

De acordo com os resultados do estudo foram rastreadas (em análises à urina) 28 substâncias químicas e em cada uma das amostras foram encontradas entre 18 e 23 substâncias perigosas, noticia a agência Lusa.

O estudo incluiu 52 pessoas de seis países, entre elas 10 participantes de Portugal.

O objetivo foi avaliar a presença no corpo humano de substâncias químicas potencialmente perigosas, em resultado da utilização quotidiana de embalagens, em particular as embalagens alimentares e de plástico.

Em Portugal o estudo foi divulgado pela associação ambientalista Zero, que em comunicado explica que a variação entre países não foi significativa, “o que indica que o contacto quotidiano com estas substâncias acontece um pouco por toda a Europa, sendo transversal à geografia, profissão, idade, entre outras variáveis”.

As análises centraram-se na avaliação da presença de químicos que podem ser encontrados nas embalagens descartáveis de alimentos, como os ftalatos e os fenóis. Os dois são associados, por estudos científicos, a doenças como o cancro ou doenças cardiovasculares e terão impactos negativos também nos sistemas reprodutivo e imunitário, salienta a associação.

“Estes resultados são mais uma prova de como as embalagens e os produtos que consumimos e usamos quotidianamente, introduzem substâncias químicas estranhas ao nosso corpo, que a ciência tem vindo a demonstrar serem potenciais riscos para a nossa saúde e para o ambiente. É urgente reduzir o uso de opções descartáveis e apostar em materiais seguros e circulares”, alerta Susana Fonseca, da direção da Zero, citada no comunicado.

As organizações envolvidas chamam a atenção para os potenciais problemas para a saúde humana decorrentes do atual modelo de produção e consumo e pedem que seja revista a legislação aplicável aos materiais para contacto com os alimentos, bem como aos retalhistas e marcas que escolham alternativas mais seguras.

A Zero recorda o alerta de cientistas em março deste ano (no chamado “Consensus Statement”) para os milhares de substâncias químicas usadas em embalagens alimentares e outros materiais para contacto com alimentos, sendo que muitas dessas substâncias conseguem migrar das embalagens para os alimentos, pelo que o seu uso continuado dever ser entendido como um risco para a saúde humana.

Além de Portugal, participaram no estudo a Bélgica, Bulgária, Letónia, Eslovénia e Espanha, resultado de uma parceria organizada dentro da rede europeia “Zero Waste Europe”.

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