Moçambique

Em Lisboa exigiu-se povo no poder, em Maputo mobilização atacada com gás lacrimogéneo

02 de novembro 2024 - 17:06

Uma manifestação em Lisboa criticou a repressão dos manifestantes que têm colocado em causa os resultados oficiais das eleições moçambicanas. Ao mesmo tempo, uma marcha da comunidade islâmica era reprimida em Maputo. Fabian Figueiredo insta governo a não reconhecer resultados até que hajam garantias que refletem vontade popular.

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Manifestação por justiça em Moçambique.
Manifestação por justiça em Moçambique. Foto de Tiago Petinga/Lusa.

Este sábado uma manifestação juntou mais de uma centena de pessoas em frente a embaixada de Moçambique em Lisboa. Aí se exigiu “o povo no poder”, se contestaram os resultados oficializados nas recentes eleições gerais e se criticou a repressão dos protestos.

De acordo com a Comissão Nacional de Eleições daquele país, o candidato presidencial da Frelimo, Daniel Chapo, teria vencido com 70,67% dos votos. O segundo mais votado, Venâncio Mondlane, apoiado pelo Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique, Podemos, teria obtido o segundo lugar com 20,32% dos votos. Mas os seus apoiantes não acreditam nas contas oficiais. Manifestaram-se logo a seguir ao ato eleitoral e têm-se manifestado ao longo dos últimos dias.

Em resposta, a polícia tem usado gás lacrimogéneo e reprimido os protestos, havendo ainda restrições no acesso a várias redes sociais. A organização não-governamental Centro de Integridade Pública contabiliza dez mortos, dezenas de feridos e 500 detidos durante este processo.

O dirigente bloquista Fabian Figueiredo esteve presente destacando que se gritou “Povo no Poder”, “o mote que o rapper Azagaia imortalizou, em protesto contra a repressão e a fraude eleitoral” e instando o governo português a não reconhecer os resultados eleitorais “até que existam garantias que refletem a vontade popular”.

Marcha pacífica da comunidade islâmica reprimida em Maputo

Ao mesmo tempo que em Lisboa se cantava o hino nacional moçambicano, se exigia justiça e se empunhavam cartazes a dizer “quem adormece na democracia acorda na ditadura”, em Maputo uma marcha pacífica que tinha sido convocada pela comunidade islâmica para exigir melhores condições de vida foi dispersada com gás lacrimogéneo.

Da lista de reivindicações constavam mais e melhor educação e serviços de saúde, fim dos raptos e corrupção e respeito pela liberdade de expressão.

Segundo a RFI, estavam várias centenas de pessoas a dirigir-se de forma ordeira do mercado central para praça da independência quando o protesto foi interrompido por disparos de gás lacrimogéneo da polícia.

Um dos manifestantes disse àquele órgão que “estamos perante um país onde os governantes vivem na luxúria e o povo na pobreza”, enquanto outro repudiou o ato de “não deixar o cidadão comum manifestar-se, isso é inconstitucional. Temos que ter direito à manifestação”.

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