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Eleição da direção do Chega violou regulamento do partido

A lista de Ventura começou por ser chumbada e só passou à terceira votação, sem a participação da maioria dos delegados. Foi a última peripécia de uma Convenção que teve a GNR a identificar delegados sem máscara, uma moção pela remoção dos ovários às mulheres que abortam e uma manifestação totalmente fracassada.
André Ventura
Foto de Nuno Veiga | Lusa

A Convenção do Chega começou com uma manifestação na sexta-feira, em Évora, que André Ventura anunciara como "a maior de sempre". Mas acabou por durar poucos minutos, abafada pela música de Zeca Afonso e por uma contramanifestação antifascista bem mais numerosa.

Os problemas continuaram já no interior da Convenção. De acordo com o Observador, a GNR foi obrigada a identificar quem estava a violar as regras da DGS, impostas devido à covid-19. A iniciativa recebeu perto de 400 militantes do Chega, que se sentaram sem o devido distanciamento físico e muitos deles sem máscara.

Os militares, que realizaram a ação à civil, não informaram sobre o número total de militantes identificados, mas as imagens recolhidas pela imprensa mostram que boa parte dos delegados incumpriu as regras, à semelhança do sucedido noutras iniciativas do partido nos últimos meses.

André Ventura chegou a chorar durante a Convenção quando a lista que propôs foi chumbada por duas vezes. Só à terceira tentativa, e depois de ter ponderado a demissão, conseguiu garantir a eleição.

De acordo com o regulamento interno do Chega, a direção é eleita com o voto de dois terços dos delegados à Convenção. Ora, à terceira tentativa, esta regra não foi cumprida: dos 510 delegados credenciados, só 182 chegaram a votar a favor da nova direção, o que representa pouco mais de um terço do total do universo eleitoral.

Moção propõs a remoção dos ovários das mulheres que abortem

A revista Sábado refere que um antigo militante do PNR apresentou um moção na Convenção do Chega com o nome “Moção Estratégica Global para Portugal”, onde defende a manutenção da interrupção voluntária da gravidez no SNS, mas que a “todas as mulheres que abortem no Serviço Público de Saúde, por razões que não sejam de perigo imediato para a sua saúde, cujo bebé não apresente malformações ou tenham sido vítimas de violação, devem ser retirados os ovários, como forma de retirar ao Estado o dever de matar recorrentemente portugueses por nascer, que não têm quem os defenda no quadro atual”.

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