Efeitos da pandemia penalizam mais os imigrantes

06 de setembro 2020 - 14:02

O primeiro estudo comparativo entre famílias imigrantes e nativas na Amadora aponta para grandes disparidades nos impactos da pandemia de covid19. Equipa coordenadora apela à necessidade de reforço dos serviços de saúde.

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Efeitos da pandemia penalizam mais os imigrantes
Fotografia de Pedro Gomes Almeida.

Os efeitos da pandemia de covid19 afetaram a grande maioria da população, com situações de perda total ou parcial de salários, aumentando as disparidades salariais e desigualdades económicas que existiam antes desta crise. Porém, um estudo do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) da Universidade Nova de Lisboa aponta para uma conclusão que já tinha sido alcançada noutros países: a população imigrante está ainda mais vulnerável aos impactos económicos e sociais desta pandemia. 

O estudo é o primeiro do género em Portugal e focou-se na comparação entre famílias imigrantes e nativas num mesmo espaço geográfico: o concelho da Amadora, revela a edição de hoje do Diário de Notícias

"Os nossos resultados mostram que a situação é difícil para todos, mas ela é ainda mais negativa para as famílias imigrantes, que estão mais expostas aos problemas socioeconómicos causados pela crise sanitária", resume a investigadora Maria do Rosário Martins, coordenadora da investigação do IHMT.

A análise focou-se em 420 famílias, 2017 imigrantes e 203 nativas, e os resultados preliminares demonstram que as famílias imigrantes são as mais penalizadas em quase todas as áreas. São elas a maioria das que perderam o emprego e salário, as que mais viram os seus rendimentos diminuir, as que mais dificuldades sentiram no acesso aos cuidados de saúde e as que tiveram maior dificuldade em pagar as contas e comprar alimentos. 

Ainda que os resultados fossem previsíveis, uma vez que a maioria dos estudos internacionais apontaram para a mesma conclusão, a disparidade nas dificuldades é maior que o esperado.

"72% das famílias imigrantes dizem que o rendimento mensal do seu agregado familiar diminuiu devido à situação de pandemia, enquanto nos nativos esse valor é 49%", adianta ao DN Maria do Rosário Martins. 

"É uma diferença muito grande, tendo em conta, por exemplo, os níveis de escolaridade de ambas as comunidades, que são de nível mediano e comparáveis entre si."

O estudo foi conduzido com base num inquérito telefónico e contou com a participação do ACES, o Agrupamento dos Centros de Saúde da Amadora, e da AJPAS -  Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e de Saúde, uma organização não governamental que trabalha no concelho da Amadora.