Está aqui

EDP vende ativos em Espanha e encaixa 515 milhões de euros

Este negócio surge pouco depois de se saber que os lucros da empresa no primeiro trimestre deste ano cresceram 45% em termos homólogos, num total de 146 milhões de euros, e que as previsões apontam para um aumento ainda maior dos lucros durante a pandemia de covid-19.
EDP vende ativos em Espanha e encaixa 515 milhões de euros
Fotografia de Manuel de Almeida/Lusa.

A EDP vendeu à Total, uma empresa petrolífera francesa, uma carteira de 2,5 milhões de clientes residenciais em Espanha e duas centrais de gás por um valor total de 515 milhões de euros. Esta compra faz com que a Total detenha 12% do mercado espanhol no subsetor do gás, tornando-se a quarta maior empresa no mercado do país. 

Segundo um comunicado da Total, a compra inclui cerca de 2,1 milhões de contratos de clientes da EDP Comercializadora e cerca de 400.000 da CHC, uma joint-venture entre a EDP (Energia de Portugal) e a distribuidora de eletricidade CIDE. Este negócio levará a que 280 trabalhadores sejam transferidos de uma empresa para a outra. 

Também a filial espanhola da EDP divulgou um comunicado, no qual clarifica que esta venda de ativos já estava prevista no Plano Estratégico da empresa para 2019-2022 e que previa “uma redução dos ativos de geração térmica e uma redução da exposição à volatilidade dos preços no mercado grossista”. 

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), António Mexia afirma que, após este acordo, a EDP mantém mais de 95% do ebitda em Espanha, um dos seus “mercados estratégicos”, onde continuará a investir em energias renováveis, redes, grandes clientes e novos produtos, noticia a agência Lusa. 

“Esta operação está muito de acordo com a nossa missão na transição energética, pois acrescenta flexibilidade para construir um futuro mais sustentável, um futuro que será elétrico", concluiu. 

Segundo os dados do primeiro trimestre, os lucros da EDP no primeiro trimestre de 2020 cresceram 45% em termos homólogos, num total de 146 milhões de euros. 

Esta transação comercial é conhecida apenas um dia depois de a presidente executiva da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, divulgar o número dos acordos para pagamento faseado de eletricidade e que fizeram saber que apenas 15 mil famílias estão a beneficiar deste. 

Já na passada semana foi divulgada uma comparação feita pelo Bloco de Esquerda dos dados relativos aos trinta dias anteriores e aos trinta dias posteriores à entrada em vigor do estado de emergência, na qual constatou-se um enorme diferencial: o consumo de eletricidade diminuiu 15%, mas o preço da energia no mercado grossista caiu 34%. Apesar de as grandes empresas comercializadoras do mercado liberalizado comprarem a eletricidade mais barata, essa redução do preço não se refletiu na fatura dos consumidores.

Tudo isto uma altura em que se sabe que a EDP, com 80% dos clientes domésticos portugueses, já registou um aumento de 45% nos seus lucros no primeiro trimestre de 2020. Para isso terá contribuído a elevada disponibilidade de fontes renováveis e a redução do custo das centrais de ciclo combinado a gás natural pressionadas pela queda da cotação do preço do petróleo. Para a EDP, os efeitos da pandemia de coronavírus entre abril e junho deste ano poderão aumentar ainda mais estes lucros.

Termos relacionados Sociedade
(...)