Presidenciais

“É importante votar em quem luta pelo SNS”

13 de janeiro 2026 - 13:50

Numa visita à Academia dos Amadores de Música em Lisboa, Catarina afirmou que os candidatos que não têm coragem de dizer o que está a acontecer no SNS não vão ter coragem de lutar pelo acesso à saúde se chegarem a Belém.

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Catarina Martins
Catarina Martins na Academia dos Amadores de Música. Foto de André Kosters/Lusa

Catarina Martins visitou esta terça-feira a Academia dos Amadores de Música, “a escola mais antiga que o país tem e que formou dos músicos mais extraordinários” e que está a ser vítima da pressão imobiliária que a obriga a sair das instalações no Chiado. Está em andamento um protocolo com a autarquia para evitar que a instituição tenha de sair da cidade, o que só foi  possível “porque houve muita gente que se mobilizou”, lembrou Catarina.

Esta é uma prova do que é possível fazer “quando as pessoas se juntam para salvar o que é importante para elas”, neste caso para mostrar que “precisamos de comunidades vividas no centro de Lisboa, não pode ser só hotéis”. A este propósito, a candidata presidencial citou os números da própria indústria hoteleira que dizem que “entre 2024 e 2026 abriu um hotel a cada quatro a cinco dias em Portugal”. Um número que considera “um absurdo”, pois entende que “o turismo tem seguramente lugar na nossa economia mas tudo tem de ter conta, peso e medida” e “se achamos que o nosso país é só cenário para hotéis, estamos a expulsar-nos de Portugal”.

Questionada pelos jornalistas sobre o apoio da líder do PAN a António José Seguro, Catarina respondeu que está nesta campanha por convicção, mas também “para quebrar tabus: o de que as nossas cidades têm de ficar só para o turismo e nós não temos sítio para viver nem o pequeno comércio pode existir; o de que estamos condenados a uma economia de baixos salários e sem qualificação; ou o de que uma mulher não pode ser Presidente da República”.

Catarina acusa Cotrim de “fraude política” por não excluir apoio a Ventura

Os jornalistas quiseram também ouvir uma reação à denúncia de assédio sexual feita por uma antiga assessora de Cotrim de Figueiredo no grupo parlamentar da Iniciativa Liberal. Escusando-se a comentar o caso concreto, Catarina sublinhou que “toda a gente tem direito à presunção de inocência, incluindo quem faz uma denúncia”.

Mais “preocupante”, acrescentou Catarina, é que Cotrim de Figueiredo tenha vindo dizer “que se calhar um voto em André Ventura podia não o chocar na segunda volta”.

“Pergunto-me se quem já votou em Cotrim de Figueiredo no voto antecipado agora pode mudar o seu voto. Temos aqui uma fraude política: são as direitas a dizer que são iguais. Acho que há muita gente neste pais que quer ter um voto contra a indecência e a selvajaria”, afirmou Catarina.

“O primeiro-ministro conhece a realidade e tem sabotado o SNS”

Questionada ainda sobre as declarações de Luís Montenegro sobre as perceções da opinião pública sobre o caos na saúde não corresponderem à realidade, Catarina respondeu que o primeiro-ministro “conhece a realidade mas opta por mentir sobre a realidade”.

“Alguém acredita que o primeiro-ministro não saiba que nós estamos a ter um pico de mortalidade que tem a ver tanto com a gripe, para a qual não houve vacinas suficientes, como tem a ver com o excesso de frio? E nós sabemos o preço da luz e da botija de gás e como tanta gente não está a conseguir aquecer a casa neste momento”. Ou que “não sabe que o SNS tem sido proibido de contratar as pessoas de que precisa e é por isso que há tanta gente sem médico de família e tantas consultas que não acontecem no prazo recomendado e clinicamente exigido?”, questionou.

Para Catarina Martins, a resposta é clara: “o primeiro-ministro conhece a realidade e tem sabotado o SNS”. E isso é mais uma razão para “um sobressalto cívico para defender o acesso à saúde em Portugal”.

“É importante votar em quem luta pelo SNS, em quem juntará os profissionais de saúde” para encontrar soluções, prosseguiu a candidata, concluindo que “os candidatos que não têm coragem de dizer o que está a acontecer não vão ter coragem enquanto Presidentes da República de lutar pelo acesso à saúde”. 

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