“É fácil dizer que se valoriza a cultura, difícil é garantir orçamento para ela”

23 de fevereiro 2024 - 13:49

Precariedade, financiamento da cultura, investimento no património e pressão imobiliária sobre espaços culturais foram alguns dos temas do encontro desta sexta-feira entre o Bloco e trabalhadores da cultura.

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Sessão Pública do Bloco: "Falamos de Cultura?". Foto de FILIPE AMORIM/LUSA.
Sessão Pública do Bloco: "Falamos de Cultura?". Foto de FILIPE AMORIM/LUSA.

O Bloco de Esquerda reuniu esta sexta-feira com trabalhadores da cultura na sessão intitulada “Falamos de Cultura?”. Este foi, segundo Mariana Mortágua, um encontro “muitíssimo proveitoso” sobre um tema que “não tinha tido ainda espaço nesta campanha, o que, aliás, reflete a invisibilidade a que está sujeita na sociedade e nas decisões do Estado”.

A coordenadora bloquista sublinhou os problemas por resolver no setor, sendo o primeiro “a precariedade dos seus profissionais”. Apesar de haver um estatuto “que saiu há bem pouco tempo”, este “não responde às necessidades dos profissionais da cultura e tem que ser revisto”. Salientando ainda que esta revisão foi já prometida mas ainda não aconteceu.

Para o partido, estes profissionais “fazem a cultura do nosso país, que é um bem essencial à democracia, à economia também, e vivem sempre com a corda ao pescoço, sempre sem saber o que é o dia de amanhã”.

Outra questão que destacou foi a do financiamento. Também aqui há uma promessa não cumprida: a do investimento de 1% na cultura. “Pelo contrário, o orçamento está muito longe disso”, vinca a dirigente partidária, que considera ainda que “é preciso rever a forma como os apoios estão estruturados para dar estabilidade a quem produz cultura” e para que “esses financiamentos permitam uma criação livre e não uma criação permanentemente condicionada às condições do último concurso, do último financiamento, que não se sabe que existe, não se sabe em que condições são feitas”.

Na reunião falou-se ainda da importância do património e da “falta que faz o investimento no património que se vai degradando” e sobre espaços de criação cultural. Neste particular, o problema é que muitas associações e instituições produtoras de cultura “se confrontam com a incapacidade de permanecerem nos centros das cidades, onde sempre tiveram o seu espaço, porque estão a ser expulsas pela gentrificação, pela incapacidade de acompanhar as rendas”.

Quando questionada sobre a relação com o Partido Socialista neste tema, Mariana Mortágua responde que “na teoria, o Partido Socialista, como muitos partidos, dizem que querem valorizar a cultura” e que “é fácil dizer que se quer valorizar a cultura, o difícil é depois garantir o orçamento para a cultura e garantir que o setor é ouvido e que as regras respeitam os profissionais da cultura”.