Centenas de vitivinicultores do Douro desfilaram nesta quarta feira pelas principais ruas da Régua, com tractores, carros e carrinhas e ao som de muitas buzinas. Protestaram contra a crise, o corte no vinho do Porto e a quebra de rendimentos dos produtores. Segundo a agência Lusa, o Douro produziu 550 mil pipas (550 litros cada) no ano passado e o corte no benefício estabelecido para esta vindima é de 25.000 pipas
Berta Santos, dirigente da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (Avidouro), defendeu a necessidade de um plano de emergência para o Douro e o aumento do preço de venda da pipa do vinho do Porto para 1.200 euros (este ano, o preço médio rondou os 800 euros), em intervenção no final do protesto realizado na Régua.
Berta Santos salientou que “a quebra na produção é muito grande, os prejuízos são muitos e as pessoas já não têm condições para viverem” e reivindicou ainda “um levantamento dos prejuízos, causados pelas intempéries, doenças e pragas que assolaram a vinha”.
Uma vitivinicultora, Teresa Pereira Guedes, referiu à agência Lusa que sente que o Douro “está sem protecção nenhuma” e entregue “às grandes empresas”. A vitivinicultora garante que “já há muita fome” no território que é Património Mundial da Humanidade e sublinhou que, com a redução anunciada para esta vindima, esta região “vai bater no fundo”. Com os custos de produção “sempre a subir” e a perda na colheita na “ordem dos 80 por cento” devido às intempéries e doenças que afectaram a vinha, “do que vamos viver”? É a pergunta dramática da vitivinicultora.