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Dorae contrata Miguel Relvas para “entrar em África e no Brasil”

A Dorae, uma empresa americana que trabalha com inteligência artificial e com tecnologia blockchain na gestão de minas e matérias primas, contratou Miguel Relvas, ex-ministro do PSD, para desempenhar funções nas áreas de política pública e sustentabilidade.
Os novos patrões de Relvas são o português Ricardo Santos Silva (ex-BES Investimento) e a norte-americana Aba Schubert, os dois fundadores da Dorae, e já os dois se tinham cruzado com o ex-ministro.
Os novos patrões de Relvas são o português Ricardo Santos Silva (ex-BES Investimento) e a norte-americana Aba Schubert, os dois fundadores da Dorae, e já os dois se tinham cruzado com o ex-ministro.

Miguel Relvas será o responsável máximo nesta função. Recorde-se que Relvas foi ministro-adjunto de Passos Coelho e secretário-geral do PSD e que deixou a política ativa quando se demitiu do governo em 2013 devido a uma licenciatura irregular. Desde aí, tornou-se acionista da holding Pivor, que tentou comprar o banco Efisa.

A Dorae, fundada em 2014, com sede em Silicon Valley nos EUA, Ilhas Caimã e Londres, é uma empresa de “perfil alto”. De acordo com uma nota da empresa, já foi desenvolvido um projeto-piloto na República Democrática do Congo, pís que tem das maiores reservas do mundo de cobalto e coltan, matérias primas essenciais para o desenvolvimento de telemóveis e carros elétricos.

A Dorae escreve que os “20 anos de experiência [de Miguel Relvas] como político, onde o trabalho muitas vezes passa por encontrar bases comuns entre o interesse público e o interesse privado, e a experiência na construção de redes de contactos que potenciam o crescimento económico” fazem dele um “parceiro de excelência” nesta área de negócio.

A mesma empresa justifica ainda o interesse por Portugal e, portanto, por Miguel Relvas: “é uma porta de entrada em África e no Brasil".

Os novos patrões de Relvas são o português Ricardo Santos Silva (ex-BES Investimento) e a norte-americana Aba Schubert, os dois fundadores da Dorae, e já os dois se tinham cruzado com o ex-ministro. Os 3 foram sócios da Pivot SGPS, uma sociedade criada no início de 2015 e que nesse ano venceu o concurso de venda do Banco Efisa por 38 milhões de euros. O negócio foi muito comentado na altura, já que foi conseguido com um valor inferior aos 77,5 milhões de euros injetados pelo Estado, entre 2012 e 2015, neste banco de investimento do antigo BPN.

Na altura, Relvas até foi chamado ao Parlamento para explicar o seu envolvimento neste negócio cujos primeiros passos foram dados ainda durante o governo de Passos Coelho, de que Relvas chegou a ser número dois. A transação acabou por não se realizar já que o BCE e o Banco de Portugal não atestaram a idoneidade dos acionistas de referência que a lei exige.

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