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Donos de seguradora vendida pelo Novo Banco mudam-se para morada de empresas de magnata condenado

Novo Banco vendeu a seguradora à Apax com 70% de desconto, e embora esta negue ligação com multi-milionário condenado por fraude e corrupção, sabe-se agora que, logo após ter conseguido aprovação da Autoridade dos Seguros e Fundos de Pensões, a seguradora mudou-se para a morada de outras empresas do magnata.
Donos de seguradora vendida com 70% de desconto mudam-se para morada de magnata condenado
Fotografia de Paulete Matos.

Primeiro soube-se que a seguradora GNB Vida foi vendida pelo Novo Banco à Apax Partners com um desconto de quase 70%, numa perda de 268,2 milhões de euros para o banco português.

Depois ficámos a saber que este fundo é propriedade de Greg Lindberg, um multi-milionário norte-americano condenado por fraude, corrupção e pagamentos indevidos ao partido Republicano com o objetivo de daí obter favores para a sua empresa Global Bankers. 

Porém, a GNB Vida, que agora se chama Gama Life, rapidamente negou ter qualquer ligação ao referido magnata dos seguros.

Só que agora o jornal Público faz saber que, logo após a compra de enorme desconto feita ao Novo Banco, o fundo da Apax Partners, atual responsável pela Gama Life, “mudou-se” para a mesma morada de outras empresas de Greg Lindberg logo após o negócio com o banco português ter conseguido aprovação da Autoridade dos Seguros e Fundos de Pensões (ASF). 

Para além de a Gama Life ter negado a ligação, também a ASF reiterou a idoneidade dos intervenientes no negócio. Segundo a autoridade, a sua avaliação “não apurou qualquer ligação” entre Lindberg e o fundo que viria a comprar a antiga GNB Vida.

Mas a investigação do Público, assinada por Cristina Ferreira e Pedro Ferreira Esteves, conclui que existem ligações públicas e oficiais entre os compradores da GNB Vida ao Novo Banco e o referido gestor. 

A seguradora foi vendida em outubro de 2016 por 123 milhões de euros, um desconto de 68,5% face ao valor contabilístico, e o Fundo de Resolução também já assegurou que a venda da GNB Vida não foi concretizada com o referido magnata.

A perda que esta venda registou para o Novo Banco foi de tal ordem que serviu para António Ramalho, presidente daquela instituição, “justificar novo pedido de injeção de dinheiros públicos”.

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