Domingos Névoa condenado por corrupção

20 de janeiro 2012 - 18:22

Faltava uma semana para o caso prescrever, mas o Supremo Tribunal de Justiça produziu a sentença que volta a condenar o administrador da Bragaparques por ter tentado corromper José Sá Fernandes. Se pagar 200 mil euros ao Estado - o mesmo valor com que tentou aliciar o vereador lisboeta - a pena de cinco meses de prisão será suspensa.

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Domingos Névoa vai ter de pagar 200 mil euros ao Estado para não passar cinco meses na cadeia.

"Ao fim de seis anos, em que quase deixei de acreditar na justiça e a uma semana da prescrição do caso, finalmente houve um ato de justiça que servirá de alento a todos os que não baixam os braços na luta contra a chaga que é a corrupção", declarou Ricardo Sá Fernandes, advogado e irmão do vereador, ao Diário de Notícias.



Domingos Névoa contactou Ricardo Sá Fernandes em 2006, para lhe propor o pagamento de 200 mil euros ao irmão, na altura vereador independente eleito pelo Bloco de Esquerda. Em troca do suborno, o vereador desistiria das ações em tribunal para impedir a permuta dos terrenos do parque Mayer pelos da Feira Popular, um negócio que seria ruinoso para a autarquia. Em vez de avançar com o suborno, os dois irmãos obtiveram autorização judicial para gravar o encontro com Névoa, que teve lugar num dos parques de estacionamento detidos pela Bragaparques em Lisboa.



A gravação serviu de prova para condenar o empresário em primeira instância ao pagamento de 5 mil euros por crime de corrupção para ato lícito. Mas em abril de 2010, o Tribunal da Relação de Lisboa revogou a decisão. O recurso para o Supremo Tribunal deu agora resultado e agravou a pena ao corruptor. Domingos Névoa foi condenado a cinco meses de prisão, que poderá ser suspensa caso o empresário pague ao Estado 200 mil euros, o mesmo valor que prometera a Sá Fernandes para lhe facilitar o negócio em prejuízo da cidade.