A recomendação, proposta pelo próprio Partido Socialista, prevê a elaboração, no prazo de seis meses, e através da Autoridade para as Condições do Trabalho, de um relatório sobre condições de higiene, saúde, segurança e de trabalho no sector dos call centers.
No documento recomenda-se também a elaboração e divulgação de um estudo sobre as condições de trabalho em centros de contacto, como forma de se conhecer em concreto a realidade deste sector e dar resposta aos problemas identificados, através do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, evidenciando a ligação entre as características do trabalho em centros de contacto e o bem-estar físico e psicológico dos trabalhadores.
Dois anos depois, o presidente do sindicato dos trabalhadores dos call centers assegurou, em declarações à TSF, que não tem informação de qualquer avanço nesse sentido. "Que tenhamos conhecimento, não foi feito qualquer estudo. Quando lançámos a petição para a regulamentação da profissão, houve algumas sessões parlamentares, mas, até à data, o estudo ficou na gaveta, certamente", apontou.
Acresce que, conforme sublinhou Danilo Moreira, os problemas mantêm-se. Trata-se de um setor "bastante precário, com muitas empresas de trabalho temporário", afirmou.
"Nos próprios departamentos do Estado, os trabalhadores estão a receber o ordenado mínimo através de empresas de trabalho temporário, por exemplo, o call center da segurança social, do IEFP", acrescentou Danilo Moreira.
Estima-se que existam atualmente em Portugal 110 mil pessoas a trabalhar em call centers.