A Aliança People’s Vaccine, que junta várias organizações de defesa dos direitos humanos e do acesso à saúde de diferentes continentes, contabilizou os dividendos que Pfizer, Janssen e AstraZeneca distribuíram aos acionistas durante o último ano. Chegou à verba 21,6 mil milhões de euros. Depois, contou quantas mais pessoas poderiam ser vacinadas se estes lucros não tivessem ido parar aos bolsos dos acionistas. O número alcançado é de, pelo menos, 1,3 mil milhões, a um custo de dose por pessoa de 16,6 euros. O equivalente a toda a população de África.
Estas verbas foram pagas ainda antes da época de assembleias de acionistas das grandes farmacêuticas deste ano que começou na passada quinta-feira com a reunião da Pfizer e da Johnson & Johnson. A Moderna tem reunião marcada para a próxima quarta-feira e a da AstraZeneca será no próximo dia onze de maio. Novos dividendos deverão ser aí distribuídos apesar de nelas estarem presentes investidores que apresentarão as propostas de alargar o acesso às vacinas defendidas pelos grupos que se manifestarão à porta.
A posição das farmacêuticas é conhecida e intransigente. Quando a Organização Mundial de Saúde se manifestou favorável à partilha de tecnologia, o diretor-executivo da Pfizer contrapôs que tal seria “uma estupidez” e que seria até “perigoso”.
Mas o embate é também entre países. De um lado, temos mais cem de países, sendo a Índia e a África do Sul as maiores potências entre eles, que pedem à Organização Mundial do Comércio a suspensão dos direitos de propriedade intelectual durante a pandemia para poder produzir vacinas. Estados Unidos, União Europeia e outros países mais ricos opõem-se-lhes. Ao passo que um quarto das pessoas dos países mais ricos já foram vacinadas, nos países mais pobres apenas o foram uma em 500.
BREAKING: @Pfizer, @JNJNews and @AstraZeneca have paid out $26 BILLION in dividends & stock buybacks to their shareholders in the past year...
an amount that could have vaccinated 1.3 billion people (the population of Africa)
A #PeoplesVaccine now!https://t.co/GLFUJtVZjd pic.twitter.com/F3DKZ2tHUk
— The People's Vaccine (@peoplesvaccine) April 22, 2021
A People’s Vaccine reivindica que as farmacêuticas partilhem o seu conhecimentos, juntando-se às iniciativas da OMS, e que os governos suspendem as regras das patentes na Organização Mundial do Comércio. Anna Marriott, responsável pelas políticas de saúde da Oxfam, uma das organizações que constituem a aliança, esclarece que “esta é uma emergência de saúde pública, não uma oportunidade para o lucro privado. Não devíamos estar a deixar as empresas decidir quem vive e quem morre enquanto aumentam os seus lucros. Precisamos de uma vacina dos povos, não de uma vacina do lucro”.