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Dividendos das grandes farmacêuticas num ano bastavam para vacinar toda África

Os 21,6 mil milhões de euros pagos por apenas três das grandes farmacêuticas aos seus acionistas o ano passado dariam para vacinar pelo menos 1,3 mil milhões pessoas.
Seringa e frasco. Foto de Marco Verch/Flickr.
Seringa e frasco. Foto de Marco Verch/Flickr.

A Aliança People’s Vaccine, que junta várias organizações de defesa dos direitos humanos e do acesso à saúde de diferentes continentes, contabilizou os dividendos que Pfizer, Janssen e AstraZeneca distribuíram aos acionistas durante o último ano. Chegou à verba 21,6 mil milhões de euros. Depois, contou quantas mais pessoas poderiam ser vacinadas se estes lucros não tivessem ido parar aos bolsos dos acionistas. O número alcançado é de, pelo menos, 1,3 mil milhões, a um custo de dose por pessoa de 16,6 euros. O equivalente a toda a população de África.

Estas verbas foram pagas ainda antes da época de assembleias de acionistas das grandes farmacêuticas deste ano que começou na passada quinta-feira com a reunião da Pfizer e da Johnson & Johnson. A Moderna tem reunião marcada para a próxima quarta-feira e a da AstraZeneca será no próximo dia onze de maio. Novos dividendos deverão ser aí distribuídos apesar de nelas estarem presentes investidores que apresentarão as propostas de alargar o acesso às vacinas defendidas pelos grupos que se manifestarão à porta.

A posição das farmacêuticas é conhecida e intransigente. Quando a Organização Mundial de Saúde se manifestou favorável à partilha de tecnologia, o diretor-executivo da Pfizer contrapôs que tal seria “uma estupidez” e que seria até “perigoso”.

Mas o embate é também entre países. De um lado, temos mais cem de países, sendo a Índia e a África do Sul as maiores potências entre eles, que pedem à Organização Mundial do Comércio a suspensão dos direitos de propriedade intelectual durante a pandemia para poder produzir vacinas. Estados Unidos, União Europeia e outros países mais ricos opõem-se-lhes. Ao passo que um quarto das pessoas dos países mais ricos já foram vacinadas, nos países mais pobres apenas o foram uma em 500.

A People’s Vaccine reivindica que as farmacêuticas partilhem o seu conhecimentos, juntando-se às iniciativas da OMS, e que os governos suspendem as regras das patentes na Organização Mundial do Comércio. Anna Marriott, responsável pelas políticas de saúde da Oxfam, uma das organizações que constituem a aliança, esclarece que “esta é uma emergência de saúde pública, não uma oportunidade para o lucro privado. Não devíamos estar a deixar as empresas decidir quem vive e quem morre enquanto aumentam os seus lucros. Precisamos de uma vacina dos povos, não de uma vacina do lucro”.

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