Depois de 05 de Junho, há mesmo muita gente, à esquerda, no Bloco de Esquerda, com uma vontadinha imensa de voltar aos tempos em que bastava um grupinho para se "ter" uma "vanguarda" ...
Há por aí muita gentinha de esquerda que, apesar de nunca ter lido os contos do Asterix, tem uma visão tipo "aldeia dos gauleses" como a organização "de excelência" para um partido de esquerda.
Essa gente que se cuide, porque esses caminhos que nunca deram nada, hoje em dia, ainda dão muito menos ... e dar muito menos é:
não contribuem para nenhuma alteração social, política e económica significativa, i.e. anti-capitalista e socialista;
não acrescentam nada a uma organização que seja identificada como necessária para a luta de todos os dias;
não conseguem perspectivar a luta social e política sem recurso a um ou vários faróis nacionalistas.
As esquerdas precisam de pluralidade, de capacidade para produzirem convergências alternativas a partir da divergência. E o Bloco de Esquerda, como partido-movimento dessa esquerda precisa também de muita pluralidade, de muita divergência capaz de construir convergências.
Lembro-me de uma frase que invadiu nos anos setenta do século passado, o aparecimento do movimento punk, contra o imobilismo das grandes bandas gordas do dito rock progressivo: "aprende a dedilhar duas notas e funda uma banda!" ... é deste espirito, desta atitude, que precisamos à esquerda!
No Bloco de Esquerda, a actual dita maioria precisa de ser clarificada ... ou seja, isso significa ser desmembrada, significa que as actuais correntes que a formam - PSR, UDP e PXXI - se assumam FINALMENTE como correntes/tendências, que sempre foram ... às escondidas!
O pior caminho seria que essas correntes da troika interna do Bloco, resolvessem agora iniciar um processo de branqueamento das suas actuais organizações e dessem lugar a uma nova corrente que acabaria por manter tudo na mesma ... para mal, muito mal, do futuro do Bloco de Esquerda.
Discussão, permebealidade aos movimentos sociais, transparência, muita e muita democracia activa, real, palpável ... é disto que as esquerdas e o Bloco de Esquerda precisam!
Para que seja possível uma alternativa de esquerda de poder com um sentido democrático, socialista e anti-capitalista!
João Pedro Freire
NOTA: novamente afirmo ... estas discussões devem SUPLANTAR as fronteiras partidárias. Precisam de beber do contraditório de quem não se submete às disciplinas partidárias. E há muita gente assim à esquerda que é absolutamente indispensável a uma alternativa de esquerda de poder!