Discriminação salarial agravada pela crise

06 de março 2012 - 23:33

As mulheres participam mais no mercado de trabalho, mas nem por isso são compensadas com a igualdade de salários em relação aos homens. Mesmo as novas gerações de trabalhadoras são sujeitas à discriminação salarial e a maior desemprego e precariedade.

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A discriminação das mulheres no trabalho continua a ser uma realidade no século XXI. Foto Paulete Matos

Segundo dados da Comissão Europeia publicados este mês e referentes a 2010, as mulheres trabalhadoras da Europa ganhavam 16,4 por cento menos que os homens. No que respeita a Portugal, a CGTP divulgou em fevereiro que essa diferença é de vinte por cento, com a remuneração média mensal das mulheres fixada em 831 euros, enquanto nos homens sobe para 1.024 euros.



No que respeita ao salário mínimo, as mulheres que o recebem são o dobro dos homens, com a central sindical a assinalar que retirados os descontos, a trabalhadora leva para casa 432 euros, ou seja, dois euros abaixo do valor fixado como limiar da pobreza.



Naturalmente, esta diferença salarial acumulada durante décadas tem efeito na pensão de reforma, com as mulheres a receberem menos 40% que os homens - 304 euros contra 516 euros. Se olharmos para os beneficiários do Rendimento Social de Inserção, verificamos também que 52,4% são mulheres.



O facto das mulheres representarem hoje cerca de 47% da população ativa está longe de lhes garantir a igualdade com os homens no mercado de trabalho. Os números agora divulgados do desemprego no último trimestre de 2011 confirmam que essa taxa é ligeiramente superior nas mulheres (14,1% contra 13,9% de desemprego masculino) e o mesmo cenário acontece na juventude: 60,6 mil desempregadas contra 47,4 mil desempregados.



Fora dos 770 mil desempregados considerados pelo Instituto Nacional de Estatística, há também 203 mil portugueses inativos e disponíveis para trabalhar, dos quais 57,5% são mulheres. Considerando os números reais do desemprego, que já ultrapassa um milhão de pessoas, a taxa de desemprego feminina é de 21,8% e a masculina de 19%.



De acordo com a CGTP, tal como o desemprego, o trabalho precário também afeta sobretudo as mulheres, Mais de 21% das mulheres trabalhadoras têm vínculos precários e mais de 60% das jovens entre os 15 e os 24 anos estão na mesma situação. Os sindicatos registam ainda a subida do número de mulheres a  trabalhar por turnos à noite e no fim de semana. Só na última década, esse número subiu de 30% para 40%.

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Discriminação das mulheres no trabalho ainda é uma realidade no século XXI