Imprensa

Diretores de jornais e revistas lançam “alerta à democracia”

12 de dezembro 2025 - 12:12

A única empresa que distribui jornais e revistas em todo o país ameaça deixar de o fazer diariamente em oito distritos do interior por não ser rentável. Diretores dos jornais recusam ser “cúmplices silenciosos” da situação.

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Foto Esquerda.net

Diretores dos principais jornais e revistas portugueses assinaram um artigo conjunto a reagir à ameaça da VASP de deixar de distribuir diariamente as publicações em oito distritos do país por falta de rentabilidade da operação.

“Não podemos assistir a esta situação em silêncio”, dizem os subscritores, dizendo ser sua obrigação “lançar um seríssimo alerta para esta situação a toda a sociedade civil, e a todos os responsáveis políticos, quer ao nível do Estado central, quer nas autarquias locais”.

Os diretores lembram que para muitos portugueses a leitura do jornal ou revista “é o único momento de contacto com a língua portuguesa escrita”, além do risco do aumento da “desinformação e das fake news que grassa nas redes sociais” com o fim do acesso à imprensa escrita.

“Estamos confrontados com um momento histórico que exige a nossa presença e o nosso sinal de alarme”, afirmam, acrescentando que as dificuldades com a distribuição se somam às que já sentem com a impressão dos jornais, na maioria feita em Espanha.

A distribuidora VASP, propriedade de uma empresa do grupo Bel, de Marco Galinha, diz que a crise de vendas do jornalismo impresso a irá obrigar a alterar rotas de distribuição diária, abandonando os pontos menos rentáveis. Na prática, isso traduzir-se-ia em deixar em 2026 as populações dos distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança sem acesso à imprensa do próprio dia.

Governo disse que “não passa cheques a nenhuma empresa em concreto”

A VASP é a única empresa de distribuição e a Entidade Reguladora da Comunicação reagiu ao anúncio lembrando que tem “reiterado ao longo dos anos a necessidade de se assegurar que a posição dominante da distribuidora não seja exercida de forma prejudicial ao sector”, lembrando também o descontentamento dos editores de jornais e revistas com os aumentos de preços da distribuição.

Editores e distribuidora esperavam o apoio do Governo para sustentar a distribuição da imprensa cobrindo todo o território do país, mas o ministro Leitão Amaro já afirmou que essa solução “deve envolver sempre mecanismos concorrenciais” e que não serão passados “cheques a nenhuma empresa em concreto”.

Para o Sindicato dos Jornalistas, a interrupção da distribuição pode resultar numa “diminuição significativa do volume de trabalho disponível para os jornalistas destas áreas, o que diminuirá o interesse por estas zonas e promoverá o aumento das áreas afetadas pelos “desertos de notícias”. Muitos jornalistas, em particular os que cobrem assuntos locais e regionais, dependem da circulação de jornais impressos para sustentar a sua atividade e garantir a continuidade das suas funções de forma independente”.

“A interrupção da distribuição em várias regiões do país afeta, assim, não só o direito dos cidadãos à informação, mas também as condições de vida e de trabalho de quem faz jornalismo todos os dias”, acrescentou o sindicato em comunicado.