Diretora do FMI defende aumento de salários na Alemanha

25 de agosto 2014 - 15:26

Christine Lagarde considera ser muito importante que Berlim participe na recuperação da Europa “de forma intensa”, recordando que o presidente do banco central alemão admitiu haver possibilidade de os salários do país aumentarem até 3%, e defendendo que as negociações salariais que já ocorreram entre sindicatos e organizações patronais sejam alargadas.

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Christine Lagarde na entrevista à TV suíça.
Christine Lagarde na entrevista à TV suíça.

No mesmo dia em que o governo francês caiu devido a críticas de ministros que deploraram a obsessão da austeridade imposta pela Alemanha aos outros países europeus e defenderam em alternativa o relançamento do consumo, a diretora do FMI disse esperar que a Alemanha aumente os salários para contribuir para a recuperação da economia europeia.

Christine Lagarde deu uma entrevista exclusiva à rede de TV suíça RTS. Reconheceu que o ritmo da recuperação na Europa tem sido "mais lento do que era esperado", sobretudo no mercado de trabalho, onde o problema do desemprego "é difícil de resolver" e acarreta o aumento das despesas com o apoio à criação de emprego e com o subsídio de desemprego.

Foi nesse contexto que a diretora do FMI defendeu que a Alemanha deve aumentar o seu nível de salários para impulsionar a recuperação económica da Europa, sublinhando que a maior potência económica do continente europeu tem "margem de manobra" para ajudar, como ficou provado nas recentes negociações salariais.

Banco Central alemão admite aumentos de 3%

No mês passado, o presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, admitiu haver possibilidade de os salários do país aumentarem até 3%, já que a Alemanha "está praticamente em situação de pleno emprego".

Mas esta posição contraria a política da chanceler Angela Merkel, que sustenta que a política de contenção salarial é que tem permitido ao país aumentar a competitividade.

Aliás, o FMI de Christine Lagarde é o mesmo que fez parte da troika que impôs a austeridade, isto é, a redução de salários, em muitos países do sul da Europa, como Portugal.