Diminuição da procura dita forte contração do PIB

09 de dezembro 2011 - 15:06

Entre julho e setembro deste ano, o PIB diminui 0,6% face ao trimestre anterior. Os dados revelados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) são ainda mais gravosos do que a estimativa avançada por este organismo em novembro. Bloco alerta para agravamento da recessão mediante imposição de mais austeridade.

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Foto de Paulete Matos.

A 14 de novembro, o INE estimava que o PIB no terceiro trimestre de 2011 tinha registado uma contração de -0,4% face ao segundo trimestre e uma queda homóloga de -1,7%.  

Esta sexta-feira estes dados foram, contudo, corrigidos. Embora a taxa de variação homóloga tenha permanecido nos -1,7%, “ditada pelo forte contributo negativo da procura interna que atingiu -5,0 pontos percentuais (pp) contra -5,5 pp no segundo trimestre", os valores referentes à contração do PIB relativamente ao terceiro trimestre de 2011 são ainda mais gravosos, tendo-se registado uma variação negativa de 0,6%.

O Bloco de Esquerda tem vindo a alertar, sendo corroborado por vários analistas, para o facto de ser expectável o agravamento da recessão em Portugal, mediante a imposição, pelo executivo do governo PSD/CDS-PP, de pesadas medidas de austeridade que, ao mesmo tempo que degradam imediatamente as condições de vida dos cidadãos, condicionam a procura interna e o crescimento económico de Portugal.

Aquando da apresentação das estimativas do INE, a deputada Ana Drago sublinhou que “a estratégia agora desenvolvida pelo governo e aprovada no Orçamento do Estado [para 2012] está a ter efeitos catastróficos ao nível do sistema económico” e que “o Orçamento do Estado não tem qualquer política ou estratégia para fomentar o crescimento económico e o nosso receio é que estejamos a caminhar, no ano de 2012, para um avolumar do desemprego e para uma contracção económica muito maior”.

O próprio executivo estima que o PIB se contraia, pelo menos, 3% em 2012.

Segundo as últimas previsões da Comissão Europeia para Portugal, o PIB no quarto trimestre do ano deverá registar uma quebra de 3,6% em relação ao período homólogo e de 1,5% em relação ao terceiro trimestre.