Venezuela, Irão, ETA. A direita espanhola ao mais alto nível, junto com poderes mediáticos e com polícias tentaram inventar todas as mentiras ao seu alcance para travar o crescimento do Podemos. Em entrevista ao El Diario, publicada esta segunda-feira à noite, Pablo Iglesias fala sobre esta perseguição de que foi o principal alvo e cuja meada continua a ser revelada com a publicação sucessiva de gravações áudio entre alguns dos protagonistas.
O fundador do Podemos deixou a liderança partidária mas nos últimos dias voltou à ribalta mediática. Primeiro, foram conhecidos detalhes de uma conversa o inspetor José Manuel Villarejo e María Dolores de Cospedal, então ministra da Defesa e secretária-geral do PP, em que se falava do falso relatório que tentava dar a ideia de que o partido recebera dinheiro iraniano e sobre uma nunca acontecida reunião entre o Podemos, os serviços secretos cubanos e a ETA, feita na Venezuela. Depois, foi tornada pública outra conversa de Villarejo, desta feita com Antonio García Ferreras, diretor da estação de televisão La Sexta, sobre as notícias falsas acerca de uma inexistente conta bancária de Iglesias onde este teria recebido 272.000 dólares do governo venezuelano.
“Perseguição judicial tinha fundamentalmente efeitos mediáticos”
Pablo Iglesias considera “gravíssimo” o conteúdo dos áudios. Questionado sobre estes últimos, esclarece que o que está em causa é que “um dos jornalistas mais poderosos do país” tenha reconhecido que a informação era falsa e que, ainda assim, tenha escolhido divulgá-la com “claríssima intencionalidade” a um mês das eleições de 2016. Sobre Ferreras sublinha ainda as suas ligações a Florentino Pérez, empresário e ex-dirigente do Real Madrid, os seus “enormes contactos” e o facto de dirigir “uma televisão que está orientada para um público de esquerda” e que “sistematicamente senta na sua televisão mentirosos profissionais”.
O ex-vice-primeiro-ministro considera que “a dimensão mediática das cloacas é a mais perigosa e grave” porque “determina finalmente o que pensam milhões de cidadãos e o que vai ser o seu comportamento eleitoral”. E que, para além dos envolvidos na divulgação de notícias falsas, há os que “os branqueiam sentando-se a seu lado”.
Para ele, houve uma “inegável” dimensão política da perseguição do Podemos destinada a tentar impedi-lo de chegar ao governo e que envolveu os ministérios do Interior e da Defesa no tempo do governo do PP e “membros da polícia que continuam a ser polícias”. E uma “perseguição judicial tinha fundamentalmente efeitos mediáticos”. Até porque todos os casos acabaram arquivados.
Considera evidente que ter “quase todas as televisões, boa parte das rádios, a maioria dos jornais que se publicam em papel a difundir mentiras sobre o Podemos” teve “um efeito eleitoral determinante”.
Mas, ao contrário do que muitos têm vindo a dizer, Iglesias não pensa que os tempos da perseguição acabaram com estes casos para os quais os áudios de Villarejo voltaram a chamar a atenção, ou seja o período anterior às eleições de 2016. Aliás, considera que a “agressividade” da perseguição ao seu partido “é ainda maior” desde que o Podemos entrou no governo.