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Diáspora da Guiné-Bissau junta cinco centenas em manifestação realizada em Lisboa

A manifestação visou criticar a situação na Guiné-Bissau e defender o respeito pela Constituição e a defesa de valores democráticos no país. A ação decorreu no mesmo dia em que o primeiro-ministro Nuno Nabian foi recebido por António Costa.
Manifestação da diáspora da Guiné-Bissau em Lisboa - Foto retirada do facebook de Mário Imbaná
Manifestação da diáspora da Guiné-Bissau em Lisboa - Foto retirada do facebook de Mário Imbaná

A manifestação decorreu entre o Rossio e a sede da CPLP, na rua de São Bento em Lisboa, e juntou cerca de 500 pessoas, segundo a Lusa, que assinala que na ação os cartazes tinham palavras de ordem como “Abaixo Governo Golpista”, “Terrorista é a Ditadura que mata”, “Quem adormece a democracia, acorda a ditadura” ou “Vamos todos lutar por uma Guiné melhor”.

Em declarações à agência, Mariano Quade, um dos organizadores da manifestação afirmou: “Estou muito descontente com o que se está a passar na Guiné-Bissau neste momento. Porque estamos a perder a liberdade cada vez mais. Quem critica, quem é da oposição, é amordaçado, é atacado”.

“Esta manifestação é para demonstrar isso e para demonstrar que queremos que pelo menos os políticos deem o exemplo. Que sigam a Constituição, que respeitem a lei magna do país, que diz que todos os organismos ou que todos os órgãos soberanos devem ter espaço para se expressar, para haver verdadeiramente uma democracia, uma sociedade democrática”, acrescentou Mariano Quade.

A manifestação decorreu no dia em que Nuno Nabian, primeiro-ministro designado pelo presidente Umaro Sissoco Embaló, foi recebido pelo primeiro-ministro de Portugal, António Costa, em audiência de cortesia.

A propósito desta visita de Nuno Nabian, Mariano Quade disse: “esta manifestação é feita num momento em que temos um primeiro-ministro que também foi colocado à força, à revelia daquilo que é a ordem democrática. E também estranhamos, e de que maneira, a receção ou o acolhimento oficial que tem sido dado a um primeiro-ministro que não está de acordo com aquilo que é a Constituição”.

“Sabemos que Portugal é um país democrático, que defende a democracia. E o que nós esperávamos era que pelo menos fosse ao encontro desses princípios e isso não está a ser observado”, disse também Mariana Quade, que defendeu:

“Queremos que Portugal e que o seu Governo interfira e possa ajudar no sentido de repor a ordem constitucional, que o Governo [guineense] saído das urnas possa retomar as suas funções. (…) Apelamos ao Governo português que reflita sobre esta matéria”.

Mariano Quade disse ainda que a manifestação em Lisboa “é uma representatividade da diáspora cá em Portugal a dizer não, que este não é o caminho, vamos respeitar, vamos pela lei, vamos respeitar a Constituição e vamos pôr a Guiné a andar minimamente dentro das regras”.

E anunciou que os guineenses da diáspora vão manifestar-se no dia 23 de julho em Bruxelas, na Bélgica, junto da sede da União Europeia, e vão ser recebidos no Parlamento Europeu. “Temos autorização para lá estar, vamos ser ouvidos pelo Parlamento Europeu, no sentido de os sensibilizar para aquilo que é o respeito pela ordem constitucional na Guiné-Bissau”, explicou Mariano Quade, afirmando a terminar: “Não pedimos de mais, só estamos a pedir que o nosso país seja governado dentro daquilo que são as regras”.

A Guiné-Bissau vive um período de grande tensão política, uma vez que na segunda volta das eleições presidenciais, a Comissão Nacional de Eleições declarou vencedor Umaro Sissoco Embaló. Porém, o candidato derrotado, Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), não reconheceu os resultados eleitorais, alegou que houve fraude e recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça, que não tomou qualquer decisão, até agora.

Umaro Sissoco Embaló assumiu o poder com o apoio das forças armadas, demitiu o governo de Aristides Gomes e nomeou para o lugar Nuno Nabian. Embaló acabou por ser reconhecido como presidente pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Segundo a Lusa, Umaro Sissoco Embaló anunciou recentemente que o Estado vai monitorizar as comunicações entre os cidadão e as organizações da sociedade civil têm denunciado detenções e espancamentos na Guiné-Bissau.

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