Uma maré de trajes negros e bandeiras das Ilhas Maurícias juntou-se a cartazes ambientalistas num protesto massivo este sábado na praça da Catedral de Saint Louis, na capital Port-Louis. Exigiram a demissão do governo do primeiro-ministro Pravind Jugnauth devido à sua gestão da crise ambiental que o país atravessa.
O derrame de petróleo causado pelo MV Wakashio, que embateu num recife de coral há cerca de um mês, deixou rastos na economia e no ambiente local e as últimas vítimas identificadas foram cerca de 40 golfinhos encontrados mortos nas imediações.
Há duas investigações oficiais a decorrer sobre o incidente uma da polícia que procura averiguar a responsabilidade da tripulação no incidente e outra governamental. E o capitão da embarcação está preso acusado de navegação perigosa. Mas tal não para a contestação.
Segundo fontes oficiais há já duas autopsias aos golfinhos que revelarão ferimentos mas não de poluição. Foram feitas pelo centro gerido pelo governo Albion Fisheries Research Centre que informa que os resultados de outras serão tornados públicos na próxima quarta e quinta-feira. O governo veio a terreiro dizer que a morte destes golfinhos foi “uma triste coincidência”. Mas o grupo ambiental Eco-Sud exige um processo mais transparente com a presença de veterinários independentes. Também a Greenpeace tinha apelado a semana passada a “uma investigação urgente” para se conhecerem as causas destas mortes.
O MV Wakashio tinha embatido no recife de coral em Pointe d'Esny a 25 de julho. As autoridades estiveram depois a tentar bombear a sua carga até que, passadas três semanas, o navio se partiu em dois vertendo cerca de mil toneladas de combustível, ameaçando os principais meios de subsistência locais, a pesca e o turismo, e todo o habitat sensível, nomeadamente os conhecidos recifes de coral.
Não é portanto apenas a morte destes golfinhos que fez com que esta manifestação fosse de uma dimensão inédita na história recente do país. Pravind Jugnauth é acusado de ter demorado muito tempo a começar as operações para retirar o combustível do barco num protesto que começou com o apelo individual de um perito em segurança marítima, Jean Bruneau Laurette, que acusou o governo de esconder a verdade sobre o sucedido. Já o primeiro-ministro local diz que a culpa dos atrasos foi do mau tempo.
#Maurice #Mauritius The massive crowd (better quality video) by Mr Akil Bissessur. pic.twitter.com/QbDfMkuZJT
— Jean-Luc Mootoosamy (@supermootoo) August 29, 2020