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“Deve haver um programa de reabertura de serviços públicos no interior”

Este domingo, num almoço-comício em Viseu que juntou seis cabeças de lista do Bloco, Catarina Martins sublinhou a necessidade de reabrir serviços públicos e a importância de o distrito eleger uma deputada que defenda os salários e as pensões.
Fotografia de Paula Nunes
Fotografia de Paula Nunes

Este domingo, o Bloco de Esquerda fez um almoço-comício em Viseu dedicado às questões do interior. Seis cabeças de lista (Guarda, Vila Real, Castelo Branco, Portalegre, Bragança e Viseu) fizeram curtas intervenções, às quais se seguiu a intervenção da coordenadora nacional do partido, Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco garantiu que a proposta do partido para o interior “é tão comprometida e séria como todas as outras”. No mesmo sentido, deixou claro o principal compromisso para o interior: “reabrir serviços públicos do território” para “aumentar a coesão” do país. “Podemos começar a mudar em nome da vida da gente que trabalha e constrói este país”, afirmou.

A coordenadora do Bloco sublinhou ainda que “as pessoas sabem o que é o Bloco de Esquerda” e que reconhecem que este “tem sido a estabilidade do seu salário, da sua pensão”. Afinal, o Bloco “lutou pelo descongelamento das pensões, conseguiu o aumento do salário mínimo” e “se há um regime para as carreiras contributivas, este deve-se à luta do Bloco”.

Catarina Martins afirmou que o Bloco quer “que em todo o país se viva de cabeça erguida, com uma cidadania plena, com acesso a tudo o que a democracia pode oferecer”. Assim, apresenta propostas “concretas” que vão ao encontro das questões específicas do interior, tais como a reabertura de serviços públicos. “Encerramos serviços públicos com a desculpa do despovoamento, mas o encerramento dos serviços públicos provoca o despovoamento”, afirmou a coordenadora do Bloco. “Há excedentes em Portugal de contas públicas e falta tudo por fazer”, continuou.

No seu entender, deve ser feito “um programa de reabertura de serviços públicos no interior, em colaboração com as autarquias”, já que “é possível reconstruir, não temos de nos resignar a um país que vai ficando sem a saúde, a justiça, a educação”. Assim, “reconstruir é a proposta do Bloco, em contacto e conversa com as populações”. Aqui, inclui-se a proposta de “garantir que os CTT são públicos”.

A melhoria dos transportes é outro campo de batalha importante para o partido, que afirma que “o direito à mobilidade é essencial a toda a gente e à economia” e que quer garanti-lo “da forma mais ambientalmente responsável”. “Há quem julgue que defender o ambiente é cobrar impostos e portagens a quem não tem alternativa se não andar de carro”, afirma, insistindo na necessidade de “um plano nacional ferroviário” para que "toda a gente possa ter a ferrovia como opção”. A proposta, assim, é “passar de um país em que a ferrovia só chega a 5% dos passageiros e das mercadorias para 40%”, garantindo-se “condições de mobilidade em todo o país”. “É assim que se responde, não penalizando quem é mais penalizado, é fazendo o investimento certo”, afirmou Catarina Martins.

Uma nova política para o interior

Salientando que “a transformação do clima é conhecida” e “a transformação do território também”, a coordenadora do partido lembra aqueles que dizem que “não há nada a fazer, que temos de educar para os comportamentos individuais ou esperar que algum dia alguma empresa tenha consciência e pense mais no ambiente do que no seu lucro a curto prazo”. “Não vai acontecer”, garante, uma vez que “os mesmo que estão a destruir o planeta são os que criam as condições de desigualdade”. “Estamos aqui para defender o clima, o planeta, o ambiente, e fazemo-lo defendendo as pessoas”, afirma a coordenadora do Bloco de Esquerda.

Neste sentido, o Bloco “propõe uma visão diferente para o território em que possamos alterar a indústria para proteger os rios e os solos, em que os apoios dados à agricultura não sirvam para premiar sempre os mesmos, mas para reconverter a agricultura e apoiar as comunidades rurais, que são as principais defensoras do território”. “Podemos ter apoio, banco de terras e outras gestão da floresta, com distribuição do rendimento da floresta por estes pequenos proprietários que cá vivem e querem viver”, afirma Catarina Martins. “Podemos fazer melhor, e quando fazemos melhor pelo ambiente fazemos melhor pelas pessoas”, remata.

Viseu e uma deputada à esquerda

Em Viseu, Catarina Martins lembrou ainda que o distrito pode ter uma deputada à esquerda "que nunca hesitará na defesa dos salários e das pensões". “O que é melhor? O que pode defender esta gente? Uma deputada que vá defender as pensões ou reeleger deputados que sempre defenderam os cortes? Alguém que defenda o salário ou mande os jovens emigrar? Alguém que considere que a habitação é um direito ou reeleger deputados que escolheram a lei das rendas que está a expulsar as pessoas das suas casas?”, perguntou.

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