Despedidos do RCP divulgam manifesto

22 de julho 2010 - 12:51

Os trabalhadores do Rádio Clube Português querem explicar aos grupos parlamentares o processo de despedimento colectivo de que são alvo e dizem que a Media Capital Rádios "tudo fez para silenciar" a estação.

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Trabalhadores do RCP perguntam se "o fecho do Rádio Clube é uma medida de gestão, à luz das condições do mercado, ou há outras razões, relacionadas com futuras movimentações accionistas"

O documento subscrito por 24 das três dezenas de trabalhadores do RCP lembra que aquela estação foi "a incubadora do conceito de jornalismo radiofónico em Portugal. E nunca nenhuma tentativa feita ao longo dos anos para recuperar o RCP respeitou tanto essa herança como este projecto que agora morre".



Os trabalhadores responsabilizam o grupo Media Capital pela actual situação e contam como o processo teve várias fases. "Primeiro, despediu pessoas, (…) depois, despediu o director da rádio, e criador do projecto [o jornalista Luís Osório]. Ignorou propostas de anunciantes de relevo, (…) Alterou a programação no sentido de gradualmente reduzir a palavra e aumentar a presença musical. Retirou a rede de frequências que permitia que a rádio fosse ouvida em metade do território continental português. E agora, dois dias antes de dizer ao mercado que as receitas publicitárias estão a subir, anunciou o fecho da rádio e o despedimento de 36 pessoas".



O manifesto destes trabalhadores lança dúvidas sobre as intenções da Media Capital. "O fecho do Rádio Clube é uma medida de gestão, à luz das condições do mercado, ou há outras razões, relacionadas com futuras movimentações accionistas?", questionam, lembrando que pertencem aos quadros de "duas das empresas que mais cresceram este ano, em audiências".



"Infelizmente, não nos disseram 'obrigado'. Limitaram-se a despedir-nos", dizem os subscritores do manifesto para chamar a atenção dos grupos parlamentares sobre "a lei da rádio que está em discussão na especialidade, para que se evitem erros que podem custar caro" e deixam o apelo à Entidade Reguladora da Comunicação "para a fiscalização rigorosa que é necessária aos projectos de rádio que são licenciados, e nem sempre cumpridos".

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