O site noticioso Index.hu era visto como o último grande resistente, entre os meios de comunicação social, que não estava no bolso do governo de extrema-direita de Viktor Orbán. A notícia, conhecida esta quarta-feira, de que o seu chefe de redação, Szabolcs Dull, tinha sido despedido foi, por isso, vista como um golpe importante na liberdade de imprensa na Hungria.
Este país estava colocado no 89º lugar do ranking anual da liberdade de imprensa, elaborado pelos Repórteres Sem Fronteiras, sendo o segundo pior da União Europeia. Aí, a esmagadora maioria dos meios de comunicação social de alguma dimensão estão nas mãos de capitalistas pró-Orbán e o Estado beneficia os seus protegidos através de subsídios. Alguns meios de comunicação social independentes, mais pequenos, sobrevivem ainda apesar das dificuldades financeiras.
O próprio Dull tinha alertado já, há cerca de um mês, sobre a possibilidade de passarem a existir interferências políticas no site informativo em que trabalhava. E o próprio site tinha alterado o seu estatuto de “independente” para “em perigo” devido à possibilidade de pressões externas à redação. O despedimento de que foi alvo é, para muitos, a confirmação de que quem mostrava preocupação estava certo.
Dull não saiu sem uma mensagem de despedida para a sua redação, publicada em vídeo noutro site, o 444.hu. Nela dizia que “o Index é uma fortaleza imponente com a qual eles querem rebentar”.
Um “deles” será o magnata que apoia o governo e que se tornou recentemente o novo sócio maioritário da empresa.
A redação está do lado de Dull. 90 jornalistas publicaram uma carta aberta em que consideram a decisão “inaceitável” e que o antigo chefe de redação apenas foi despedido porque “deixou claro que não ia ceder a chantagens.”
Do lado da fundação que controla o jornal, László Bodolai garantiu que a independência política da página não seria atingida e alegou que Dull foi despedido por não ser capaz de controlar as tensões internas, o que terá levado a uma queda dos rendimentos publicitários.